7 textos que tentam explicar: o que foi Maradona?

Imagem: AFA
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Diego Armando Maradona Franco nasceu em 30 de outubro de 1960 e morreu em 25 de novembro de 2020. Entre as duas datas, mostrou ao resto do mundo o que o futebol sul-americano teve, tem e sempre terá de melhor.

Neste continente, futebol não é só um esporte que enriquece poucos na Europa. Não é só colocar a bola nas redes do goleiro adversário e marcar mais gols do que o rival.

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Por aqui, futebol é paixão, é arte, é drama, é história, é emoção. É chorar com a vitória ou sorrir com a derrota. É a relação íntima com a bola, que faz com que humanos se tornem deuses no ofício.

Na Argentina, Maradona foi e é um deus, com fiéis próprios. E o paralelo com a religião – do latim, religare, um laço que liga os humanos a Deus – não poderia ser mais proprícia neste momento.

Diego Armando Maradona Franco, o homem de carne e osso, morreu. Driblou muitas vezes o inevitável, mas morreu.

Maradona não morreu. Sua arte e sua história viverão para sempre. E enquanto a América do Sul tiver paixão pelo futebol, D10S será maior que a morte.

-U-D-

O Última Divisão separou sete textos de publicações ao redor do mundo para mostrar que o que foi Maradona.

Maradona foi mito, foi lenda. Foi arte, foi história. Foi um deus e um demônio. Foi um craque.

E foi humano.

“Sabíamos que este dia ia chegar, mas não estávamos preparados para vê-lo morrer. A notícia ainda é intolerável. Por que o mundo chora a morte de Diego? Porque morreu um cara que praticou o esporte mais popular do planeta como ninguém, e fez feliz a muita gente sem distinção de nacionalidades. Sua morte não muda nada sobre seu legado e sobre o impacto no futebol. Ele já era mito e lenda.”

Juan Pablo Varsky, do La Nación (Argentina)

“O contexto respira por aparelhos no futebol, e Maradona, que é puro contexto, é um novo diagnóstico negativo para o paciente terminal. Ele não é simplesmente uma ferramenta que te faz perder ou ganhar jogos. É a obra de arte que desperta uma explosão de emoções, não se mede em réguas comuns.”

Gustavo Franceschini, do Goal.com

“Diego é o homem de carne e osso que pouco fez por merecer, mas mesmo assim se tornou deus de sua própria igreja. Diego experimentou o sabor do paraíso ao mesmo tempo que escolheu percorrer, pés descalços a trilha mais estreita, tortuosa e sombria que se oferece ao lado. Errou como qualquer outro Diego; o advogado, o médico, o pedreiro. Mas só um deles acertou como Maradona. Abdicou e reivindicou seu trono tantas vezes, como nenhum outro monarca fez”

Leo Lepri, do GE – o texto foi ao ar em 30 de outubro, aniversário de Maradona

“Em edição de 2005 de seu programa ‘La noche del Diez’, Diego em traje de gala (se entrevistou e) pediu ao Diego de camiseta algunas palavras para quando chegue o dia de sua morte. ‘O que diria?’, pensa. E define: ‘Obrigado por ter jogador futebol, porque é o esporte que me deu mais alegria, mais liberdade. É como tocar o céu com as mão. Obrigado à bola. Sim, colocaria uma lápide que dissesse: obrigado à bola’.”

Do Clarín (Argentina)

“E então veio o dia 25 de novembro que não esquecerei mais. O dia em que todos descobrirmos que ninguém é para sempre, nem mesmo esse garotinho que já deveria ter morrido 30 vezes. Diego Maradona está morto. Vai levar algum tempo para se acostumar e será difícil viver com isso.”

Johan Tabau, da France Football (França)

“Mas se as falhas diminuíam o que Maradona era, elas poliam o que ele representava para aqueles que o observavam, aqueles que o adoravam. Que tamanha beleza pudesse emergir de tamanho tumulto o fez significar algo mais; deu-lhe uma ressonância que se estendia além até de sua capacidade extraordinária. Sua escuridão acentuou os contornos de sua luz.”

Rory Smith, do The New York Times (EUA)

“Deslumbrante, infame, extraordinário, gênio, ultrajante. Diego Maradona. Um ícone de futebol defeituoso. Um dos jogadores mais talentosos do jogo, o argentino ostentava uma rara combinação de talento, extravagância, visão e velocidade que hipnotizava os fãs.”

Da BBC (Inglaterra)

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