30 coisas que você precisa saber (ou não) sobre a Série D do Campeonato Brasileiro

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Colaboraram Diego Ribeiro, Allan Brito e Emanuel Colombari

Gramados muitas vezes surrados, times quase sempre com baixa qualidade técnica, estádios por vezes esvaziados. Estas são algumas das características da nova Série D do Campeonato Brasileiro, competição disputada pela primeira vez no ano passado (São Raimundo-PA foi o campeão) e filho bastardo de uma reformulação proposta pela CBF, que decidiu limitar os participantes da Série C a 20 times e, para não falir outros tantos, inventou um novo degrau no futebol nacional.

Dessa forma, a Série D passou a ser, de certa forma, a ‘várzea’ do futebol brasileiro. Nela, times lutam contra o prejuízo financeiro tentam driblar o abandono da entidade que os rege e sonham em subir na vida – literalmente. Mas nem tudo é ruim no ‘fundo do poço’: é na última divisão que ‘craques’ do passado resistem ao adeus dos gramados, times levam verdadeiras multidões aos estádios e equipes de praticamente todos os estados brigam pelo título. É, sem dúvida, o verdadeiro Campeonato Brasileiro.

  1. A, B, C: Túlio Maravilha vai tentar a façanha de ser o único artilheiro de todas as divisões brasileiras – ele já foi da Série A pelo Botafogo-RJ, da B pelo Vila Nova e da C pelo Brasiliense. Este ano, defende o Botafogo-DF, que entrou na vaga dos times de Goiás, desistentes da disputa.
    Tulio Maravilha, 900 e poucos gols, quer artilharia da D
    Tulio Maravilha é a estrela da obscura Série D
  2. Filho caçula: JV Lideral joga pela primeira vez a Série D. A origem do nome é bizarra: o JV vem do nome do filho do dono e presidente do clube (João Vicente), e o Lideral é o nome da empresa de terraplanagem do dono. Se não bastasse isso, o escudo é inspirado no Barcelona – o da Espanha, diga-se de passagem.
  3. Planalto: O estado de Goiás, que tem dois representantes na Série A do Brasileiro (Goiás e Atlético-GO), não terá nenhum na última divisão nacional. Com isso, o Distrito Federal (estado melhor posicionado no ranking da CBF) herdou as vagas e terá Botafogo-DF, Brasília e Ceilândia na disputa.
  4. Volta do Mutange: As enchentes que atingiram Alagoas neste ano prejudicaram a participação do estado na Série D. Com isso, o Murici desistiu da vaga, que foi recusada por outros times do estado até cair no colo do tradicional CSA. O curioso é que o time está na segunda divisão estadual.
  5. Internacional: Com a “classificação” do CSA, a Série D terá dois participantes com bagagem internacional: o time alagoano, que chegou à final da Copa Conmebol em 1999 e perdeu para o argentino Talleres; e o Sampaio Corrêa, que um ano antes foi eliminado na semi pelo Santos, que se sagraria campeão.
  6. Palco de luxo: A partir de setembro, o novato Náuas jogará em uma arena de 15 milhões de reais construída na afastada Cruzeiro do Sul, na divisa do Acre com o Peru. O estádio, que se chamará Arena do Juruá, é bancado pelo governo estadual e deverá ficar pronto completamente em 2012, com 14 mil lugares.
  7. Estreia de arrojo: A Série D do Brasileiro será o primeiro torneio do novo Manaos, até então conhecido como América-AM. Para ter maior identificação com o estado, os dirigentes decidiram trocar o nome e eleger uma nova mascote pela internet. Com isso, o novo leopardo Yawara substitui o velho Diabo.
  8. Ele mesmo: O meia Gian, do Remo, é o único jogador da Série D campeão mundial pela seleção brasileira, ainda que na categoria sub-20. Em 1993, ele fez parte do time campeão na Austrália; depois, teve passagens por Vasco, Paysandu e até pelo suíço Lucerna antes de disputar a última divisão pelo Remo.
  9. Pantanal na Tijuca: Os torcedores do São Paulo poderão matar a saudade na Série D. Isso porque o atacante Alex Dias, que conquistou o Brasileiro de 2006 pelo clube e hoje tem 38 anos, estará disputando a competição pelo América-RJ. No time carioca, reencontrará Romário, com quem fez dupla no Vasco em 2005.
  10. Aposta na experiência: O meia Jackson é mais uma cara famosa na Série D deste ano. Após fazer sucesso no Sport e rodar por Palmeiras, Cruzeiro, Vitória-BA, entre outros, o maranhense de 37 anos é o principal nome do Santa Cruz, tradicional clube que tenta voltar à elite do futebol nacional.
  11. Mares tranquilos: Para a disputa da Série D, o Marcílio Dias terá o reforço de Cilinho. Não conhece? Pois ele é o novo mascote do time catarinense, o primeiro em 90 anos de história. Fruto de um projeto da diretoria-mirim do clube, Cilinho é um marinheiro e estará nas arquibancadas durante os jogos do time.
    Marinheiro Cilinho estará acompanhando o Marcílio Dias na Série D
    Marinheiro estará com o Marcílio Dias na Série D
  12. Monumental: Já imaginou ver a camisa do poderoso River Plate com o patrocínio da banda de forró Calcinha Preta? Pois é fácil: um clube de Carmópolis, no estado do Sergipe, vai disputar a Série D em 2010 e é praticamente um cover do tradicional time argentino, do nome ao uniforme.
    Agora só falta o Boca Juniors ser patrocinado pelo Calypso
    Alô, Calypso! Que tal patrocinar o Boca Juniors?
  13. Gigante do Arruda: A torcida do Santa Cruz promete fazer uma das festas mais bonitas entre todas divisões do futebol brasileiro. Em 2009, os pernambucanos já lotaram o estádio, mesmo com uma campanha decepcionante – o time caiu na primeira fase, mas teve média de 38 mil torcedores. Em 2010, com mais otimismo depois da vitória sobre o Botafogo na Copa do Brasil, a história não deve ser diferente.
  14. Taça Guanabara: Extra! Extra! Extra! Flamengo, Fluminense, Botafogo e River Plate vão disputar a Série D. É claro que são apenas os xarás de Piauí, Bahia, Distrito Federal e Sergipe, mas neste caso a camisa não deve ter tanto peso e eles correm o risco de fazer os orginais, do Rio de Janeiro e da Argentina, sentirem vergonha de suas partidas.
  15. Escalada caipira: O Botafogo-SP é um dos principais favoritos para o título da Série D, principalmente depois de conquistar o Torneio do Interior do Campeonato Paulista, no primeiro semestre. No entanto, o que poderia ser uma grande vantagem deve gerar mais equilíbrio na Série D, já que o time perdeu os destaques e teve que remontar o elenco para a competição.
  16. 113 títulos: Grandes campeões estaduais vão participar da Série D. O Remo, por exemplo, tem impressionantes 42 troféus paraenses, enquanto o Sampaio Correa já conquistou 28 maranhenses e o Mixto levou 24 títulos mato-grossenses. Isso sem contar o Santa Cruz, que tem o mesmo número de pernambucanos, e o Flamengo-PI, que tem 19 estaduais.
  17. “Me perdoa, Gabiru!”: Antes da Série D, o Mixto-MT se deu ao luxo de dispensar dois campeões mundiais pelo Internacional: Perdigão e Adriano Gabiru. Se com eles o time não conseguia resultados expressivos, imagine você como deve estar sofrendo agora a equipe do Mato Grosso, conhecido como ”Tigre da Vargas”.
  18. Amigos do Deco:O Fluminense, o do Rio de Janeiro mesmo, está perto de contratar o meia Deco, do Chelsea. Enquanto isso, o Remo está de olho em um reforço da mesma família: Fábio Vidal, que é cunhado do meia naturalizado português, pode regorçar o time paraense na Série D do Brasileiro.
  19. Vila Cruzeiro: Se engana quem pensa que o futebol brasileiro não tem mais Imperador após a saída de Adriano. O atacante Albérico Jr., o “Imperador do Nordeste”, está aí para provar o contrário. Acontece que o jovem, que já defendeu o CSA, quase assinou com o Vilhena e foi parar no Vila Aurora, está com os mesmos problemas do ídolo e pode não ficar em forma a tempo de jogar a Série D.
    Albérico Jr. é Imperador pela aparência. Tirem suas conclusões
    Dizem que Albérico é Imperador só na aparência
  20. S.E. VEC: Único representante de Rondônia, o Vilhena tem um hino, no mínimo, estranho. “Quando surge o Vilhena imponente/a torcida vai dando o recado/Sabe bem o que vem pela frente/se a vitória não for o resultado”, diz. Tirando o tom de ameaça, a estrofe lembra (e muito!), o hino do “alviverde imponente” Palmeiras.
  21. Paris-Dakar: O Vilhena, aliás, será protagonista da primeira grande jornada para entrar em campo pela Série D. Mesmo sendo “regionalizada” pela CBF para evitar que os times tenham prejuízo (já que não têm qualquer apoio da milionária entidade), a primeira partida da equipe ocorrerá a mais de 1800 km de sua sede. Será em Mâncio Lima, vizinha de Cruzeiro do Sul, na divisa com o Peru, contra o Náuas.
  22. “É rede!”: Se a crítica é quanto ao nível técnico, esqueça: em matéria de média de gols, a Série D esteve pouco abaixo das divisões superiores. Foram 419 gols marcados em 158 partidas, ou 2,65 por jogo – contra 2,80 da Série C, 2,78 da Série B e 2,87 da Série A.
  23. Oiapoque a Chuí: Apenas os estados de Goiás e Roraima não estarão representados na Série D – Araguaína, Anapolina e Santa Helena tinham direito. Do mais, clubes de 24 estados (mais o DF) estarão em campo na briga pela Série C.
  24. Nunca dantes navegados: O Náuas será o primeiro clube do Acre a disputar a quarta divisão nacional. Em 2009, na primeira edição da Série D, nenhum clube do estado manifestou interesse.
  25. Segunda chance: Em 2009, Tupi e Uberaba bateram na trave, caindo nas quartas de final e perdendo as vagas na Série C em confrontos diretos para Macaé e Alecrim-RN, respectivamente. Pois em 2010, os mesmos Tupi e Uberaba representarão Minas Gerais no torneio, com a missão de colocar mais um representante do estado na Série C.
  26. Família: Sem surpresas, técnicos conhecidos estarão em ação na “Quartona”. Márcio Bittencourt comanda o Madureira, Marcelo Vilar treina o Treze-PB e Paulo Moroni ocupa o cargo no Flamengo-PI. Promovido em 2010 com a Chapecoense, Mauro Ovelha tenta repetir o feito com o Metropolitano-SC.
  27. Experiência: Por falar em nome conhecido, Sandro Sotilli irá disputar mais uma Série D pelo Pelotas, dono da pior campanha do campeonato em 2009. No ano passado, o interminável atacante já deixou sua marca pelo time, marcando um gol em seis jogos.
  28. Do chão, não passa: Aliás, o Pelotas tem mais uma marca ruim a bater: no jogo em que recebeu o São José-RS em 2009, o time registrou o pior público da Série D, com 19 testemunhas. Os dois times estão no torneio em 2010, mas não se encontrarão na primeira fase.
  29. Correndo por fora: Ricardo Bueno saiu, mas o Oeste de Itápolis acredita em campanha digna na Série D. Além de manter o técnico João Ricardo no posto, o time ainda se reforçou com nomes experientes, como Marcelo Peabiru e Wilton Goiano. Mesmo assim, a aposta será em uma base formada por jogadores mais jovens.
  30. Janela: Lembra do Maciel, atacante que “jogou” pelo Porto-POR entre 2003 e 2005? Não? Pois é a chance de conhecê-lo: aos 31 anos, Maciel Lima Barbosa da Cunha irá reforçar o Madureira na Série D, após passagens por Cabofriense e Angra dos Reis.

A lista não para por aqui, claro. Portanto, se lembra de algum fato curioso ou relevante sobre a última divisão nacional, deixe seu registro nos comentários!

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