10+ Última Divisão: os jogadores que marcaram o ano de 2019

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Você sabe melhor do que ninguém quem é o jogador ou a jogadora que te marcou. É o camisa 10, é a artilheira, é o goleiro intransponível.

Ou então não é nada disso: é aquele jogador aleatório que fez algo que você nunca mais esqueceu, e que às vezes sofre para explicar para outras pessoas o porquê de alguém que feitos tão duvidosos ser tão marcante.

A gente te entende. O futebol é um esporte democrático, e permite que alguns nomes menos conhecidos tomem dos grandes astros partes de nossos corações e mentes.

Em 2019, isso não foi diferente. Copa do Mundo feminina, Mundial sub-17, Libertadores… Tudo isso criou uma base sólida no afeto do torcedor. Mas não é só de tudo isso que é feita a paixão.

Relembre as edições anteriores dos 10+:
2014 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2015 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2016 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2017 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2018 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores

Deixando claro que a seleção das melhores histórias é feita pelo nosso critério – ou seja, situações marcantes pelo improvável, seja porque um time pequeno e seus atletas surpreenderam, ou mesmo quando integrantes do mainstream futebolístico proporcionam um momento ímpar (seja por superação de alguém, por ser um grande vexame, etc.).

Para começar, uma breve explicação de como o prêmio funciona:

REGULAMENTO

O regulamento, apenas para reforçar, é o mesmo dos anos anteriores. Em um BRAINSTORM, nossa equipe listou 30 partidas, 30 jogadores e 30 times que marcaram o ano. Desta lista, enviamos um formulário para os seletos eleitores, que deram a cada “candidato” uma nota de 1 a 5, sendo 1 o menos marcante e 5 o mais marcante. Com a divisão de notas totais pelo número de eleitores, fizemos a média para apontar os 10 mais marcantes em cada categoria.

Por fim, deixamos aqui nosso agradecimento aos convidados que tiveram a paciência de votar na eleição de 2019. A atenção de vocês é uma grande recompensa ao nosso trabalho.


10+ ÚLTIMA DIVISÃO
OS JOGADORES QUE MARCARAM O ANO DE 2019

 

9. Lucas Santos (CSKA Moscou): 3,6956

Foram poucos jogos na temporada, mas o meia-atacante tem feito manchetes no Brasil, graças a seus posicionamentos fora de campo. Em diversos momentos, Lucas Santos demonstrou sua preocupação com comunidades pobres do Brasil, em especial a respeito de temas como desigualdade e violência.

(Crédito: Divulgação)

9. Lázaro (seleção brasileira sub-17): 3,6956

Reserva na seleção brasileira que disputou em casa o Mundial sub-17 deste ano, Lázaro se mostrou um coringa importantíssimo nos jogos decisivos do torneio. Na semifinal contra a França, saiu do banco aos 26 min do segundo tempo e fez o gol da vitória por 3 a 2 aos 44 min. Na final contra o México, foi a campo novamente aos 26 da etapa final e fez nos acréscimos o gol da vitória por 2 a 1.

(Crédito: Alexandre Loureiro/CBF)

8. Mario Balotelli (Brescia): 3,7391

Depois de deixar o Olympique de Marselha e negociar com o Flamengo, o badalado atacante italiano assinou com o Brescia. No novo clube, além de brigar contra as últimas colocações na Serie A, ainda enfrentou o racismo dos torcedores adversários e do presidente da própria equipe.

(Crédito: Daniele Mascolo/Reuters)

7. Dyogo Coutinho (América-RJ): 3,9130

O atleta das categorias de base do América-RJ foi morto em abril, atingido por um disparo de arma de fogo durante operação policial na comunidade da Grota do Surucucu, em Niterói. O avô, motorista de ônibus, passava pelo local na hora e tentou socorrer o neto, sem sucesso. Investigações apontaram responsabilidade da PM na morte do jogador, reforçando a tese defendida pela família.

(Crédito: Reprodução)

6. Alisson (Liverpool/seleção brasileira): 3,9565

Acostumado aos craques com a bola nos pés, o Brasil coroou o ano de um astro com a bola nas mãos: Alisson, goleiro do Liverpool e da seleção brasileira. Campeão da Liga dos Campeões e da Copa América, o ex-jogador do Internacional foi eleito o melhor goleiro do mundo nos prêmios Fifa The Best e Bola de Ouro. Na premiação da France Football, ainda foi escolhido o sétimo melhor jogador do mundo em 2019 – melhor posição de um brasileiro no ano.

(Crédito: Oli Scarff/AFP)

5. Gabriel Martinelli (Arsenal): 4,1739

Revelação do Ituano, entrou na mira de diversos clubes brasileiros e europeus em 2019. No fim, o atacante se transferiu para o Arsenal, e não decepcionou: já marcou seus gols pelo time londrino e até foi convocado para a seleção brasileira olímpica.

(Crédito: Arsenal FC)

4. Gabigol (Flamengo): 4,4347

O atacante não emplacou no futebol europeu, mas mostrou em 2019 que sobra na América do Sul. Reforço do Flamengo para o ano, fechou o ano com três títulos: Campeonato Carioca, Campeonato Brasileiro e Copa Libertadores. Foi o artilheiro nos torneios nacional e sul-americano, sendo vice na tabela do estadual. Na final da Libertadores, ainda foi o autor dos dois gols da vitória de virada do Fla por 2 a 1 sobre o River Plate. Que ano…

(Crédito: Marcelo Cortes / Flamengo)

2. Taison (Shakhtar Donetsk): 4,4782

No dia 10 de novembro, o Shakhtar venceu o Dínamo de Kiev por 1 a 0 pela liga ucraniana, mas o jogo ficou mesmo marcado pelas ofensas racistas da torcida do time de Kiev aos brasileiros Taison e Dentinho. O primeiro, enfurecido, mandou um gesto obsceno para os torcedores, chutou uma bola para as arquibancadas, foi expulso (!!!) e deixou o gramado às lágrimas. Para piorar, o atacante ainda foi punido pelas autoridades esportivas ucranianas com mais um jogo de suspensão.

(Crédito: FC Shakhtar Donetsk/Divulgação)

2. Emiliano Sala (Cardiff City): 4,4782

O atacante argentino estava trocando o Nantes pelo Cardiff City no começo de 2019 quando, em janeiro, sofreu um acidente aéreo no Canal da Mancha. Seu corpo só foi achado em fevereiro. Tinha 28 anos e foi a contratação mais cara da história do clube galês.

(Crédito: Loic Venance/AFP)

1. Megan Rapinoe (EUA): 4,8260

Entre homens e mulheres, nenhum atleta do futebol teve um ano mais destacado do que a atacante norte-americana. Campeã da Copa do Mundo, na qual foi artilheira e melhor jogadora, foi eleita a melhor do mundo pela Fifa e venceu a Bola de Ouro da revista France Football. Fora de campo, não teve medo de encarar o presidente norte-americano Donald Trump.

(Crédito: Franck Fife/AFP)

 

Quem votou

Alexandre Senechal (Placar), Arthur Chrispin (escritor), Bruno Figueiredo (jornalista), Bruno Guedes (Agência EFE), Cirilo Júnior (TV Globo), Cristiano Silva (Rádio Guaíba), Diego Freire (Última Divisão), Emanuel Colombari (Uol), Fernando Duarte (BBC), Igor Nishikiori (Última Divisão), João Almeida (Linha de Fundo), José Edgar de Matos (Uol), Leandro Santiago (InterTV Alto Litoral), Leandro Stein (Trivela), Leonardo Bonassoli (Futebol Metrópole), Luis André Rosa (Agora São Paulo), Menon (Uol), Napoleão de Almeida (Bandsports), Rafael Luis Azevedo (Verminosos por Futebol), Ricardo Helcias (Veja.com), Rodrigo Gasparini (Rádio Cruzeiro FM), Stevan Camargo (jornalista) e William Correia (Lance!).

Veja também: As melhores equipes de 2019 e os melhores jogos de 2019


Conheça os outros 20 jogadores indicados em 2019:

Ada Hegerberg (Noruega) – Considerada uma das melhores atacantes do mundo, a norueguesa marcou três vezes na final da Liga dos Campeões da Europa feminina, na qual o Lyon venceu o Barcelona por 4 a 1. Mesmo assim, optou por permanecer fora da seleção norueguesa para a Copa do Mundo – a equipe caiu nas quartas de final diante da Inglaterra.

Almoez Ali (Qatar) – O atacante nascido no Sudão defendeu a seleção do Qatar na Copa da Ásia (a equipe foi campeã) e na Copa América. Na competição asiática, o camisa 19 foi o artilheiro com 9 gols – superando o recorde histórico do iraniano, que havia feito 8 em 1996. No entanto, sua naturalização foi colocada sob suspeita durante o certame – queixa que foi arquivada pela AFC.

Ansu Fati (Barcelona) – Nascido em outubro de 2002, na Guiné Bissau, Anssumane Fati chegou à Espanha com a família ainda na infância. No Barcelona, ganhou terreno nas categorias de base. Estreou no time profissional em agosto, antes de completar 17 anos, e tem quebrado recordes. Já foi titular, já renovou contrato e já fez gol na Liga dos Campeões.

Ayase Ueda (Japão) – A seleção japonesa veio à Copa América para se testar, e mostrou isso com a convocação de Ayase Ueda. Aos 20 anos, o atacante atuava por uma equipe universitária (embora tivesse vínculo com o Kashima Antlers) quando foi chamado, e fez sua estreia como titular da seleção principal diante do Chile.

Caíque Oliveira (Paysandu) – A dramática decisão da Copa Verde 2019 entre Paysandu e Cuiabá foi marcada por um lance peculiar. Após a vitória cuiabana por 1 a 0 nos acréscimos e o empate por 1 a 1 no placar agregado, os pênaltis decidiriam o campeão. Para que o Papão levasse o título, bastava que Caíque Oliveira convertesse o seu. O zagueiro caminho absolutamente devagar para a bola, gerando suspense, mas mandou para fora. O Dourado virou a série e levou a copa.

Daniel Alves (São Paulo) – O vitorioso lateral direito deixou o Paris Saint-Germain logo ao fim da temporada 2018/2019. E após ser campeão da Copa América em casa com a seleção brasileira, Dani – cotado em clubes como Barcelona, Sevilla e Manchester City – se apresentou ao São Paulo como reforço. Na chegada, lotou o Morumbi para uma festa poucas vezes vista nos últimos anos.

Danilo (Vila Nova) – Aos 39 anos, o vitorioso meia deixou o Corinthians no fim de 2018 e retornou ao futebol goiano, assinando como grande reforço do Vila Nova para a temporada. A lua de mel, porém, durou pouco: Danilo rescindiu seu contrato com o clube em maio e está sem atuar profissionalmente desde então. O Vila, por sua vez, foi rebaixado na Série B.

Erling Braut Haland (Noruega) – O desempenho do atacante do RB Salzburg no Mundial sub-20 surpreendeu. A Noruega nem passou pela fase de grupos, mas Haland foi o artilheiro do torneio com nove gols – todos marcados na vitória por 12 a 0 sobre Honduras. Seus gols na Liga dos Campeões da Europa ainda ajudaram o colocá-lo na mira de grandes clubes do continente.

Florijana Ismaili (Suíça) – A meia do YB Frauen e da seleção suíça morreu em junho aos 24 anos, durante um mergulho em um lago na Itália. A atleta chegou a disputar a Copa do Mundo de 2015.

Henrique Almeida (Chapecoense) – Em sua décima temporada como profissional, o atacante sofreu seu quinto rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Antes de colocar a Chape na Série B em 2019, havia feito o mesmo com Vitória (2010), Sport (2012), Bahia (2014) e Coritiba (2017).

João Félix (Atlético de Madri) – Em 2018, o jovem atacante português fez sua estreia no time principal do Benfica. Um ano depois, deixou o clube encarnado rumo ao Atlético de Madri como o quarto jogador mais caro da história do futebol. Foi o vencedor de 2019 do prêmio Golden Boy, dado pelo jornal Tuttosport ao melhor jogador sub-21 da Europa.

José Antonio Reyes (Extremadura) – Aos 35 anos, o ex-atacante de Sevilla, Arsenal, Real Madrid, Atlético de Madrid, Benfica e Espanyol, entre outros clubes, já não vivia os últimos anos de sua carreira. No entanto, logo no início de sua passagem pelo Extremadura na segunda divisão espanhola, Reyes foi vítima de um grave acidente automobilístico em 1º de junho e faleceu.

Kazu Miura (Yokohama FC) – Aos 52 anos, o atacante japonês segue desafiando o tempo. Nesta temporada, Kazu ajudou o Yokohama a conquistar o vice-campeonato na J2 League e o acesso à J. League 2020. Foram apenas três jogos na competição, sem gols.

Loco Abreu (Rio Branco-ES) – O veterano uruguaio começou o ano fechando com o Rio Branco-ES e disputando o Campeonato Capixaba. Depois de disparar contra o futebol do Espírito Santo, foi embora de volta para o Uruguai e fechou com o Boston River. E ainda terminou o ano fazendo piada com uma possível aposentadoria.

Marco Rubén (Athletico) – Com 42 jogos e 13 gols (antes da última rodada do Brasileirão, atualizar caso seja necessário), Marco Rubén foi um dos destaques do Athletico em 2019. Mas também chamou a atenção fora de campo, ao viajar 1700 km de carro entre Rosário e Curitiba no começo do ano para se apresentar ao novo clube.

Olivier Ntcham (Celtic) – Em 7 de novembro, pela quarta rodada do Grupo E da Liga Europa, o Celtic visitou a Lazio e venceu por 2 a 1. A partida ficou marcada pela resposta dos escoceses às manifestações fascistas dos torcedores romanos. Na comemoração do gol da vitória no fim do jogo, Oliviet Ntcham celebrou plantando uma bananeira, em um gesto visto como uma alusivo à morte de Benito Mussolini, líder fascista da Itália que teve o corpo pendurado de cabeça para baixo na cidade de Milão em 1945.

Pablo Guiñazú (Talleres-ARG) – Aos 40 anos, o Cholo Loco finalmente pendurou as chuteiras. Em sua despedida, porém, mostrou a garra e o talento de outros anos: foi o capitão do Talleres que eliminou o São Paulo na segunda fase da pré-Libertadores e se aposentou em março, após a eliminação do time na fase seguinte, diante do Palestino (Chile). Recebeu homenagens até dos vereadores de Córdoba.

Romario Baggio Rakotoarisoa (Madagascar) – Em sua primeira participação na Copa Africana de Nações, a seleção de Madagascar surpreendeu: liderou o Grupo B (à frente da Nigéria), passou pela Rep. Dem. Congo nas oitavas e caiu frente à Tunísia nas quartas. E mesmo sem sair do banco, um jogador conseguiu chamar a atenção internacional com seu incomum nome: Romario Baggio Rakotoarisoa, camisa 3.

Serginho (Jorge Wilstermann) – Em março, o atacante brasileiro foi alvo de manifestações racistas em jogo fora de casa contra o Blooming pelo Apertura boliviano. No fim do segundo tempo, a torcida anfitriã atacou o brasileiro com manifestações de cunho racial. Serginho decidiu então abandonar o gramado.

Tim Cahill (Jamshedpur) – Um dos jogadores mais emblemáticos da história do futebol australiano, o atacante pendurou as chuteiras aos 39 anos, em março, depois de uma breve passagem pelo Jamshedpur na Indian Super League. Ao longo da carreira, foram quatro participações em Copas do Mundo.

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