10+ Última Divisão: os jogadores que marcaram o ano de 2017

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Não deu para Messi, Cristiano Ronaldo ou Neymar. A nossa tradicional lista de jogadores que marcaram a temporada deixou de fora, mais uma vez, os nomes mais estrelados do futebol atual. E não podia ser diferente. Nada contra os grandes jogadores, muito pelo contrário, mas gostamos mais ainda de boas histórias.

Se Leo Messi calou os críticos e virou herói ao levar uma vacilante Argentina para mais uma Copa, vimos também quem enfrentou o racismo de dentro de sua própria seleção e levou a melhor. Se Cristiano Ronaldo aumentou sua coleção de troféus em 2017, houve quem tenha virado lenda por sentir o gostinho de ser matador de gigantes. E se Neymar se tornou o jogador mais caro do mundo, casos de superação mostram que nem tudo na vida é dinheiro.

Para quem não conhece, o 10+ UD existe desde 2014 e contamos com nossa rede de colegas jornalistas para avaliar quais atletas, de uma lista pré-concebida, foram mais marcantes no ano de 2017.

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Esta lista fala de jogadores, mas pedimos também para que fossem avaliados os jogos e os times que marcaram os últimos 12 meses. Nos três casos, o objetivo foi, a exemplo do que rolou nos anos anteriores, elencar de forma democrática o que de mais destacado aconteceu no futebol mundial ao longo do último ano. A nossa retrospectiva.

O regulamento, apenas para reforçar, é o mesmo dos anos anteriores. Em um BRAINSTORM, nossa equipe listou 30 partidas, 30 jogadores e 30 times que marcaram o ano. Desta lista, enviamos um formulário para os seletos eleitores, que deram a cada “candidato” uma nota de 1 a 5, sendo 1 o menos marcante e 5 o mais marcante. Com a divisão de notas totais pelo número de eleitores, fizemos a média para apontar os 10 mais marcantes em cada categoria.

Aqui, falamos dos jogadores que marcaram a temporada. Para o bem ou para o mal, o ano desses atletas foi marcado por histórias que certamente lembraremos durante alguns anos.

Por fim, deixamos aqui nosso agradecimento aos 36 convidados que tiveram a paciência de votar na eleição de 2017. A atenção de vocês é uma grande recompensa ao nosso trabalho.

10+ ÚLTIMA DIVISÃO
OS JOGADORES QUE MARCARAM O ANO DE 2017

10. Eniola Aluko (seleção inglesa): nota 3,3611

A atacante de origem nigeriana se tornou protagonista de uma polêmica iniciada em 2014 na Inglaterra. Na ocasião, alegou ter sido alvo de comentários racistas por parte do técnico da seleção feminina inglesa, Mark Sampson. Ao afirmar que seus familiares viriam da Nigéria para assistir a um jogo, Aluko teria ouvido de Sampson que eles não deveriam trazer junto o ebola. De lá para cá, o público pouco a pouco passou a tomar conhecimento de um relacionamento problemático entre a jogadora e a seleção inglesa. No fim de 2016, após novas acusações, Mark Sampson se tornou alvo de uma investigação sigilosa da Associação de Futebol da Inglaterra (FA). Embora a entidade tenha pago 80 mil libras à jogadora em um acordo em março de 2017, o caso seguiu, e novas acusações contra Sampson surgiram. O treinador chegou a ser inocentado pela entidade, e até ganhou apoio de outras jogadoras da seleção; ainda assim, foi demitido em setembro.

(Chelsea FC)

 9. Luiz Otávio (Chapecoense): nota 3,5277

A partida de volta entre Lanús e Chapecoense pela fase de grupos da Libertadores teve um herói improvável: o zagueiro Luiz Otávio, autor do gol que definiu a vitória dos catarinenses na Argentina. O problema é que ele também se tornou um vilão por acaso: sua escalação fora considerada irregular pela Conmebol. Ele não poderia jogar por ter sido expulso contra o Nacional. Como cumpriu a suspensão na Recopa Sul-Americana, esperava-se que estivesse liberado para o jogo contra o Lanús, o que descobriu-se que não era o caso – a Conmebol alega ter enviado um e-mail ao clube avisando do gancho, o que o clube desmente. Com isso, o Lanús herdou a vitória e tirou a Chape da competição.

(Nelson Almeida/AFP)

8. Alex Muralha (Flamengo): nota 3,75

Titular do Flamengo a partir do segundo semestre de 2016, passou longe de ter paz no time carioca em 2017. Diante da contratação de Diego Alves, perdeu espaço; quando recuperou, protagonizou diversas falhas. Cobrado por não defender pênaltis nas finais da Copa do Brasil diante do Cruzeiro, foi pouco acionado no fim da temporada, mas voltou a vacilar – em especial no jogo contra o Santos, pelo Campeonato Brasileiro. Pior: preterido pelo jovem César para o jogo contra o Junior Barranquilla pelas semifinais da Copa Sul-Americana, viu o concorrente defender pênalti na vitória por 2 a 0 em território colombiano.

(Reprodução/Twitter)

8. Romarinho (Al-Jazira): nota 3,75

Em 2017, finalmente pudemos dizer novamente: PQ FAS ISSO ROMARINHO? Se marcar contra o Boca Juniors em plena Bombonera na final da Libertadores de 2012 já é um grande feito, nada se compara a fazer um gol pelo pequeno Al Jazira contra o gigante Real Madrid. Um dos destaques do time de Abu Dhabi, Romarinho já tinha deixado o dele na estreia contra o Auckland City. Na partida seguinte, contra o Urawa Reds, mais uma vez brilhou e deu a assistência que definiu a vitória do time da casa. O sonho de bater o Real e ir à final, porém, esbarrou no poderio ofensivo dos madrilenhos, aliada à lesão do goleiro Ali Khaseif, que estava operando milagres no gol até ser substituído, o que fez o time europeu virar a partida.

(Getty Images)

6. Kylian Mbappé (Monaco/PSG): nota 3,8333

O jovem atacante francês estreou profissionalmente em 2015, mas 2017 foi o ano em que o mundo conheceu seu talento. Aos 18 anos, destacou-se pelos gols no Campeonato Francês e na Liga dos Campeões, conquistando suas primeiras convocações para a seleção francesa. Obviamente, foi especulado em times como Real Madrid e Manchester United – mas acabou acertando mesmo sua transferência para o rival Paris Saint-Germain.

(Reprodução/Instagram)

5. Paolo Guerrero (Flamengo/seleção do Peru): nota 3,9166

O atacante marcou cinco gols para a seleção peruana nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018 – o último deles, no empate por 1 a 1 com a Colômbia, veio em uma cobrança de falta irregular, mas serviu para colocar os peruanos na repescagem intercontinental. No entanto, acabou flagrado em um exame antidoping e acabou preventivamente suspenso no começo de novembro. Julgado, acabou punido com um gancho de um ano. Assim, desfalcou o Flamengo nas finais da Copa Sul-Americana, mas deve jogar o Mundial pelo Peru, o primeiro do país desde 1982.

(AFP)

4. Rodrigo Caio (São Paulo): nota 3,97222

Pelas semifinais do Paulistão, uma atitude de fairplay de Rodrigo Caio na partida entre São Paulo e Corinthians acabou se tornando o centro de um grande debate sobre ética e honestidade. Após livrar o atacante Jô de um cartão amarelo que o tiraria da partida de volta, o zagueiro recebeu elogios de diversas personalidades, inclusive do técnico da seleção Tite, mas foi recriminado pelo então companheiro de time Maicon.

(Reprodução/Instagram)

 3. Francesco Totti (Roma): nota 4

Em uma temporada marcada pelas despedidas de nomes como Xabi Alonso, Kaká, Dirk Kuyt, Philipp Lahm e Andrea Pirlo, talvez ninguém tenha causado tanta comoção ao pendurar as chuteiras como Francesco Totti. Depois de 25 anos a serviço da Roma, Il Capitano decidiu que era a hora de parar. No adeus, foi homenageado até mesmo pela torcida da arquirrival Lazio. Aposentado, passou a trabalhar na diretoria romanista.

(Lapresse)

2. Roger (Botafogo): nota 4,2222

No final de setembro, o Botafogo anunciou que o atacante Roger teve um tumor renal detectado. Operado no começo de outubro, descobriu que se tratava de um tumor benigno. Um mês depois, o atacante – cuja temporada deu destaque também à sua filha, que é deficiente visual – estava de volta aos treinamentos.

(Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

1. Alan Ruschel (Chapecoense): nota 4,6666

A história do retorno de Alan Ruschel é um pouco a história do renascimento da Chapecoense em 2017. Um dos sobreviventes da queda do avião em Medellín, o lateral esquerdo já era tido como praticamente um ex-jogador profissional, sem chances de jogar em alto nível novamente. Sua rápida recuperação, porém, mudou esse quadro. Em março passou a treinar com o time. Em julho, participou de seu primeiro jogo-treino e, em agosto, voltou a campo para jogar o primeiro tempo contra o Barcelona no Camp Nou. Em setembro, diante de sua torcida na Arena Condá, retornou definitivamente aos gramados contra o Flamengo. Jogou bem e deixou para trás o rótulo de sobrevivente para voltar a ser um atleta. E em dezembro, Alan Ruschel se casou com a designer Marina Storchi.

(Reprodução/Instagram)

Quem votou

Adalberto Leister Filho (R7), Alexandre Senechal (Veja), Allan Brito (Última Divisão), Allan Farina (Goal Brasil), Anderson Moura (Outside of the Boot), Bruno Guedes (EFE), Camila Srougi (freelancer), Carlinhos Novack (SPNet e Última Divisão), Corneta Europa, Diego Freire (Última Divisão), Eduardo Carneiro (UOL), Emanuel Colombari (UOL), Fabio Chiorino (ESPN Brasil), Fábio Marcondes (Rádio De Prima e Rádio Coringão), Felipe Lobo (Trivela), Fernanda Filomeno (EFE), Fernando Cesarotti (ESPN FC), Gabriel Andrezo (FutRio), Gabriel Dantas (GloboEsporte.com Vale do Paraíba), Gabriel Francisco Ribeiro (UOL), Gabriela Ribeiro (GloboEsporte.com Paraná) Igor Nishikiori (Última Divisão), João Paulo di Medeiros (Jornal O Popular), Juliana Fontes (Tribuna do Paraná), Leandro Santiago (TV Anhanguera Tocantins), Leonardo Bonassoli (Futebol Metrópole), Letícia Sechini (ESPN FC), Lucas Mello (Placar), Luís Augusto Símon (UOL), Luís Felipe dos Santos (Zero Hora e Puntero Izquierdo), Marcelo Carvalho (Observatório da Discriminação Racial no Futebol), Monique Vilela (Rádio Banda B), Olga Bagatini (UOL), Rafael Alves (Planeta Futebol Feminino), Rodrigo Gasparini (Jornal Cruzeiro do Sul, Rádio Cruzeiro FM e Trivela) e Yuri Casari (Do Rico ao Pobre).

(A imagem que abre o texto é uma reprodução de Captain Tsubasa Vol II, para Nintendinho)

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