10+ Última Divisão: as equipes que marcaram o ano de 2019

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Começo de ano no UD já tem uma tradição: pela sexta vez consecutiva, abrimos janeiro com os 10+, a nossa lista-retrospectiva que elenca os grandes destaques do futebol no ano anterior. Hoje vamos falar das equipes mais marcantes de 2019 e nos próximos dias postaremos os vencedores das outras categorias.

Relembre as edições anteriores dos 10+:
2014 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2015 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2016 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2017 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores
2018 – Melhores equipes I Melhores jogos I Melhores jogadores

Deixando claro: quando falamos “o que o ano teve de melhor”, nos referimos às melhores histórias pelo nosso critério – ou seja, situações marcantes pelo improvável, seja porque um time pequeno e seus atletas surpreenderam, ou mesmo quando integrantes do mainstream futebolístico proporcionam um momento ímpar (seja por superação de alguém, por ser um grande vexame, etc.)

Para começar, uma breve explicação de como o prêmio funciona:

REGULAMENTO

O regulamento, apenas para reforçar, é o mesmo dos anos anteriores. Em um BRAINSTORM, nossa equipe listou 30 partidas, 30 jogadores e 30 times que marcaram o ano. Desta lista, enviamos um formulário para os seletos eleitores, que deram a cada “candidato” uma nota de 1 a 5, sendo 1 o menos marcante e 5 o mais marcante. Com a divisão de notas totais pelo número de eleitores, fizemos a média para apontar os 10 mais marcantes em cada categoria.

Por fim, deixamos aqui nosso agradecimento aos convidados que tiveram a paciência de votar na eleição de 2019. A atenção de vocês é uma grande recompensa ao nosso trabalho.


10+ ÚLTIMA DIVISÃO
AS EQUIPES QUE MARCARAM O ANO DE 2019

 

10. Seleção masculina do Peru: nota 3,5652

A participação na Copa do Mundo de 2018 não foi um acidente e a seleção comandada por Ricardo Gareca mostrou em 2019 que hoje está entre as melhores do continente. Na Copa América disputada no Brasil, os peruanos passaram sem brilho pela primeira fase – e chegaram até a levar uma goleada de 5 a 0 para os donos da casa -, mas mostraram sua força no mata-mata ao eliminar o Uruguai nos pênaltis e fazer 3 a 0 no favorito Chile nas semifinais, com o gostinho especial de humilhar um rival histórico. Na decisão, mais uma vez enfrentaram os brasileiros e caíram por 3 a 1 no Maracanã, é verdade. Porém meses depois derrotaram o time de Tite em amistoso, mostrando que hoje a geração de Cueva e Guerrero pode fazer frente a qualquer um na Conmebol.

 

9. Atalanta: nota 3,6956

O tradicional time de Bérgamo voltou a figurar entre os grandes de seu país em 2019. Ficou com a terceira colocação no campeonato nacional e foi vice da Copa da Itália – em campanha na qual eliminou a Juventus com um sonoro 3 x 0. Quase conseguiu repetir o feito de 1962/63, quando venceu a mesma Copa Itália (até hoje seu único título de primeira linha). Os feitos renderam a primeira participação na Champions League e lá o clube segue surpreendendo: depois de perder os três primeiros jogos (inclusive levando goleadas), fez sete pontos nas três rodadas finais e avançou para o mata-mata. Como se não bastasse, ainda aplicou um 5 a 0 no Milan antes do fim do ano, simbolizando a nova distribuição de forças na Velha Bota.

8. Union Berlim: nota 3,7391

Quis o destino que o Union disputasse pela primeira vez a Bundesliga no ano em que se completaram 30 anos da queda do Muro de Berlim. A história do clube se confunde com a divisão e a reunificação alemã: com o surgimento do muro, a equipe se tornou a mais popular do lado Oriental da cidade, mas manteve a palavra “união” em seu nome e se manteve vinculada ao “Union 06”, seu “irmão” do lado Ocidental. Símbolo de quem sonhava com a reunificação do país, rivalizou por anos com o Dínamo (time da Stasi, polícia secreta do governo comunista). Quando enfim a Guerra Fria acabou, a equipe viveu tempos difíceis – como aconteceu de forma geral com todos os times do antigo lado comunista – até se sagrar campeã da segunda divisão na temporada 2018/ 19 e fazer uma Bundesliga digna na temporada seguinte, com destaque para uma histórica vitória no clássico com o Hertha.

John MacDougall/ AFP

 

7. Figueirense: nota 3,8695

Se o Bragantino Red Bull foi a grande história de sucesso de um clube-empresa em 2019, o Figueirense mostrou a outra face. Dois anos depois de se tornar Figueirense S/A, o time se afundou. Sem os aportes combinados por parte da parceira Elephant, o Figueira ficou meses sem pagar funcionários e atletas, o que causou uma debandada do elenco e levou os atletas que permaneceram a darem um W.O. em jogo contra o Cuiabá pela Série B. Mesmo com o time caindo pelas tabelas, a torcida ficou do lado dos atletas e entoou cantos como “pagar salário é obrigação”. Em setembro, o clube enfim rompeu unilateralmente o contrato com a Elephant e sua torcida fez grande festa no Orlando Scarpelli, mesmo com o time virtualmente rebaixado para a Série C. Mas deu tempo para uma reação: na reta final do campeonato, Pintado assumiu como treinador e teve início uma invencibilidade de dez jogos, que livrou o Figueirense do rebaixamento dentro de campo (embora o Londrina esteja tentando reverter sua queda no tapetão).

 

6. Tottenham: nota 3,9130

Em 2014, o novato treinador Mauricio Pochettino assumiu o Tottenham desacreditado depois de vender Gareth Bale – seu maior ídolo em muito tempo. Poucos imaginavam que assim começava um dos períodos mais brilhantes da história do tradicional clube londrino, de torcida apaixonada e pouco acostumado a títulos. Em cinco anos de trabalho, Pochettino não conseguiu erguer um troféu, mas fez os Spurs competirem pelas primeiras posições da Premier League e chegou ao ápice de seu trabalho na Champions de 2019, quando levou o clube até a final com vitórias emblemáticas em mata-matas contra Manchester City e Ajax. Na decisão veio uma derrota apática para o Liverpool e o técnico deixaria o cargo meses depois após uma péssima sequência de jogos, mas seu legado permanecerá por muito tempo – o de ter tornado o Tottenham um time respeitado.

Matthew Childs/Action Images/Reuters

 

5. Independiente del Valle: nota 4,043

Pequeno em seu país, onde nunca foi além de um solitário vice-campeonato nacional, o Del Valle se tornou um fenômeno nas competições continentais. Três anos depois do incrível vice-campeonato na Libertadores de 2016 (eliminando River Plate e Boca Juniors em seu caminho), o time da cidade de Sangolquí se sagrou campeão da Sul-Americana de 2019 eliminando outros gigantes do continente como Universidade Católica, Independiente e Corinthians, além do Colón na final. O feito fez com que seu treinador – o espanhol Miguel Ángel Ramirez, de 35 anos – se tornasse um dos mais cobiçados entre clubes brasileiros para 2020. Em tempo: o time foi só o quinto colocado no campeonato nacional, atrás de outros clubes equatorianos desconhecidos, como Macará e Delfín (que se sagrou campeão).

 

3. Fortaleza: nota 4,1304

Quem vê o Fortaleza no final deste ano mal consegue se lembrar que há dois anos o time acumulava oito temporadas seguidas na Série C, sempre refugando na hora de subir. Depois de quebrar essa sina no final de 2017, tudo mudou rapidamente. Em 2018 chegou o técnico Rogério Ceni, que levou o time ao título da Série B. E, em 2019, Ceni comandou voos ainda mais altos: títulos cearense e da Copa do Nordeste, além do 9º lugar na primeira divisão, garantindo a inédita classificação para a Copa Sul-Americana do próximo ano. No meio dessa saga, Ceni ainda saiu rapidamente do Leão para uma conturbada passagem pelo Cruzeiro, mas logo regressou e renovou seu contrato para seguir em 2020, ano em que o clube deve concluir a reforma de seu CT. E claro que as conquistas não são apenas mérito de Ceni. Além dos jogadores, a torcida também tem um papel fundamental: terminou o Brasileirão com a terceira maior média de público e criou fama por montar mosaicos belíssimos nas arquibancadas do Castelão.

 

3. Red Bull Bragantino: nota 4,1304

Uma solução profissional para resgatar clubes em crise ou ódio eterno ao futebol moderno? O que se especulava há muito tempo, aconteceu em 2019: a Red Bull, sem conseguir ascender nacionalmente após mais de dez anos com um time de futebol em Campinas, decidiu “comprar’ uma camisa tradicional e pegar um atalho para chegar à Série A do Brasileiro. Dessa parceria surgiu o Red Bull Bragantino, que levou o time de Bragança Paulista a seus dias mais gloriosos desde os anos 90, com o título da Série B e promessa de altos investimentos em 2020. A questão agora é: até que ponto a identidade do Bragantino será mantida na sequência da parceria? Aguardando cenas dos próximos capítulos.

 

2. Ajax: nota 4,1739

Lá se iam 14 anos sem que o gigante holandês disputasse o mata-mata da Champions League. Em 2019 o Ajax voltou a brilhar no primeiro escalão do futebol europeu, com o futebol envolvente que sempre marcou sua história. Primeiro, eliminou o tricampeão Real Madrid com um humilhante 4 x 1 em pleno Santiago Bernabéu. Na sequência, tirou a Juventus de Cristiano Ronaldo e teve a classificação para a final muito próxima, perdida após um hat-trick do brasileiro Lucas Moura selado com um gol cruel aos 51 minutos do segundo tempo, na semifinal contra o Tottenham. Uma maneira desoladora de se encerrar um conto de fadas, mas que não apaga todo o encanto que o time proporcionou.

Susana Vera/Reuters

 

1. Cruzeiro: nota 4,3043

Muitos clubes grandes do Brasil já caíram, mas talvez nunca tenha havido uma queda tão brusca. De bicampeão da Copa do Brasil, com um dos elencos mais prestigiados do país, para rebaixado em um ano – com a mesma base de jogadores. Apesar dos problemas financeiros já conhecidos há algum tempo, a derrocada cruzeirense em 2019 chocou pela rapidez e quantidade de absurdos: casos de polícia envolvendo a diretoria, boicote descarado a um treinador, episódios escrachados de falta de comprometimento de alguns jogadores e outras dessas coisas desastrosas difíceis de se ver tão nítidas e combinadas em um clube grande de futebol. Como exemplo negativo e inusitado por seu tamanho, o Cruzeiro marcou 2019 e terá que tirar diversas lições dos vários erros para se reerguer nos próximos anos.

Dhavid Normando/Folhapress

 

Quem votou

Alexandre Senechal (Placar), Arthur Chrispin (escritor), Bruno Figueiredo (jornalista), Bruno Guedes (Agência EFE), Cirilo Júnior (TV Globo), Cristiano Silva (Rádio Guaíba), Diego Freire (Última Divisão), Emanuel Colombari (Uol), Fernando Duarte (BBC), Igor Nishikiori (Última Divisão), João Almeida (Linha de Fundo), José Edgar de Matos (Uol), Leandro Santiago (InterTV Alto Litoral), Leandro Stein (Trivela), Leonardo Bonassoli (Futebol Metrópole), Luis André Rosa (Agora São Paulo), Menon (Uol), Napoleão de Almeida (Bandsports), Rafael Luis Azevedo (Verminosos por Futebol), Ricardo Helcias (Veja.com), Rodrigo Gasparini (Rádio Cruzeiro FM), Stevan Camargo (jornalista) e William Correia (Lance!).

Veja também: As melhores partidas de 2019


Conheça os outros 20 times indicados em 2019:

Benfica feminino (POR) – Possivelmente a melhor campanha da história do futebol: 16 jogos, 16 vitórias, 273 gols marcados e nenhum sofrido. Foram esses os números da estreia do time feminino do Benfica, formado há pouco mais de um ano e que, por motivos protocolares, precisou começar na segunda divisão de seu país. No comando do ataque, duas brasileiras: Darlene (artilheira máxima da competição, com 69 gols) e Geyse (que fez “só” 35). No segundo semestre de 2019, já na divisão de elite, a equipe segue sobrando – mas, pelo menos, sem aplicar tantas goleadas de dois dígitos, como o 28 x 0 no Ponte Frielas e 32 x 0 no CP Pego.

Brusque (SC) – 2019 foi um ano ruim para o futebol catarinense, que viu Avaí e Chapecoense serem rebaixados na Série A, o Criciúma cair na B e o Figueirense escapar por pouco de outra queda. Mas houve uma exceção: a nova força emergente do estado ficou com o título da Série D em sua quinta participação consecutiva no torneio. Com forte patrocínio de empresários da cidade – entre eles Luciano Hang, o “véio da Havan”, um dos 58 bilionários do Brasil, segundo a revista Forbes -, o Brusque vem se estruturando e pode surpreender nacionalmente nos próximos anos.

Colón (ARG) –O time de Santa Fé termina o ano brigando para não ser rebaixado à segunda divisão de seu país, mas não poderia deixar de figurar nessa lista. Afinal, mesmo que aos trancos e barrancos, o pequeno clube conseguiu chegar à final da Copa Sul-Americana, em um alternativo confronto contra o Independiente del Valle. Para chegar lá, os “sabaleros” venceram seus dois confrontos mais difíceis nos pênaltis: contra o Argentinos Juniors e o Atlético-MG, além de superar rivais como o River Plate (Uruguai) e o Zulia (Venezuela). Contra o Galo, quem fez e a diferença foi o baixinho Luis Miguel Rodríguez, o “La Pulga”, atleta folclórico que já chegou à seleção argentina na conturbada época em que Diego Maradona foi treinador.

Confiança (SE) – Depois de 19 anos, o Estado de Sergipe volta a ter um representante na Série B do Brasileiro (no caso estamos falando do rival CS Sergipe, que jogou o torneio em 2001). O Confiança já vinha há alguns anos fazendo bons trabalhos na Série C e enfim conseguiu o acesso, superando o gaúcho Ypiranga de Erechim no mata-mata. Conhecido como o “Dragão do Bairro Industrial”, o clube azulino não jogava a segundona nacional desde 1992.

Dynamo Brest (BEL) – Na Bielorrússia, mudanças não têm sido muito comuns. O chefe de Estado do país, por exemplo, é Aleksandr Lukashenko há 25 anos, um dos mais longevos ditadores do mundo. E no campeonato de futebol local a hegemonia também custou muito para ser quebrada. Entre 2006 e 2018, o BATE Barisov conquistou o torneio por treze vezes seguidas. Em 2019 o reinado chegou ao fim: o Dynamo Brest, equipe fundada há 59 anos, venceu o torneio pela primeira vez, com cinco pontos a mais do que o BATE na classificação final.

Famalicão (POR) – Fora da primeira divisão portuguesa desde 1994, o clube de Vila Nova de Famalicão surpreendeu em seu retorno. Liderou o torneio até a oitava rodada – quando chegou a ganhar o apelido de “Leicester português” – e encerra o ano na terceira colocação, à frente do Sporting e com chances reais de terminar a temporada 2019/20 com uma vaga na Liga Europa, o que seria grandioso para um time que manda seus jogos em um estádio com capacidade para 5 mil espectadores.

Hienghène Sport (NCL) – Após oito anos, finalmente a hegemonia da Nova Zelândia na Liga dos Campeões da Oceania foi quebrada. Para orgulho dos quase 300 mil habitantes da Nova Caledônia, dois times de lá – o Magenta e o Hienghène Sport – eliminaram, respectivamente, os favoritos Auckland City e Team Wellington para disputarem entre si a final continental. Na decisão, o Hienghène levou a melhor (vitória por 1 x 0, com gol do meio de campo) e teve a surreal experiência de jogar o Mundial de Clubes da Fifa no Catar. E de novo os neocaledônios puderam se orgulhar: o clube semiamador só foi eliminado na prorrogação pelo Al Sadd – o muito mais rico time da casa, treinado por Xavi Hernández

Inter de Limeira (SP) – Foram 14 anos de pesadelo para um dos times mais tradicionais do interior de São Paulo. Campeã paulista da primeira divisão em 1986, a Inter nunca havia passado longos períodos longe da elite até cair em 2005. Depois disso, se afundou até chegar à quarta divisão estadual e se reergueu de forma lenta. O acesso depois de tanto sofrimento veio em um jogo épico: gol de empate aos 46 minutos do segundo tempo e vitória nos pênaltis contra o XV de Piracicaba. Depois do retorno à primeira, o técnico João Valim – há três anos no cargo – deixou seu posto com sentimento de dever cumprido. Em 2020, Elano comandará o clube.

Palermo (ITA) – O fundo do poço chegou para o tradicional clube siciliano, de inconfundível uniforme cor-de-rosa. Em 2019, o Palermo, que jogou a primeira divisão até 2017 e teve jogadores como o uruguaio Edinson Cavani em passado recente, além de quatro atletas na seleção italiana campeã da Copa de 2006 (Zaccardo, Grosso, Barzagli e Barone), faliu oficialmente – na quarta divisão e atolado em dívidas. Refundado como SSD Palermo, a partir da próxima temporada tentará retornar aos dias de glória, começando pelas divisões mais baixas do futebol italiano.

PAOK (GRE) – O ano foi de conquistas há muito aguardadas dentro e fora de campo para o quase centenário clube. Em maio, a equipe encerrou um jejum de 34 anos e se sagrou campeã grega da primeira divisão pela terceira vez. Em junho, outra festa para a torcida: após décadas de disputas diplomáticas, a República da Macedônia finalmente cedeu às reivindicações do governo grego e passou a se chamar Macedônia do Norte – diferenciando, assim, seu nome da região homônima no norte grego, justamente onde o PAOK está sediado. O time sempre foi um símbolo do movimento macedônico grego e em seus jogos é comum se deparar com faixas como “Macedônia é só uma” ou “Macedônia, nossa terra, nossa casa e nossa história”.

Paulista (SP) – O Galo da Japi completou 110 anos em 2019, dando um respiro durante o período mais difícil de sua tradicional história, que tem até um título de Copa do Brasil. Depois de cair da elite estadual em 2014, a equipe de Jundiaí acumulou rebaixamentos até chegar à quarta divisão, onde permaneceu por duas temporadas. O acesso veio neste ano com um título, em final contra outro gigante do interior paulista em fase difícil, o Marília.

Seleção de Benin – O inchado Campeonato Africano de Nações de 2019 trouxe surpresas como a seleção de Benin. Com pequena tradição futebolística, o país conseguiu ir longe na competição sem vencer nenhum jogo. Na primeira fase, empates como as poderosas seleções de Gana e Camarões, além de um 0 x 0 com a Guiné-Bissau. Nas oitavas, novo empate com uma força do continente (1 x 1 diante de Marrocos e vitória nos pênaltis). A sequência só acabou nas quartas, quando o time perdeu por 1 x 0 para Senegal, que seria finalista do torneio.

Seleção do Catar – Dentro de campo, pouco ainda se espera do país-sede da Copa do Mundo de 2022, mas essa imagem começou a mudar em 2019. O Catar – país de população equivalente à de cidade de Manaus – começa a colher os resultados do projeto de longo prazo para desenvolver seu futebol. Com alguns jogadores naturalizados (mas não tantos quanto é de se supor), os catarianos venceram a Copa da Ásia de forma categórica em terreno muito hostil (nos Emirados Árabes Unidos, inimigo diplomático que sequer permitiu a viagem de jornalistas e torcedores do país inimigo). Meses depois ainda fez bons jogos na Copa América, inclusive com um empate contra a seleção paraguaia após sair perdendo por 2 x 0.

Seleção do Haiti – 2019 foi mais um ano difícil para o Haiti. Mais de 40 pessoas morreram no país em protestos contra o governo, mais uma catástrofe pouco noticiada da nação mais pobre das Américas. Em meio às dificuldades, a seleção conseguiu orgulhar o país com seu maior feito desde a classificação para a Copa do Mundo de 1974. Os haitianos foram semifinalistas da Copa Ouro da Concacaf pela primeira vez, em uma campanha surpreendente na qual derrotaram a Costa Rica e eliminaram o Canadá. E ainda deu para sonhar com uma vaga na final, os haitianos caíram para o México na semi apenas na prorrogação.

Seleção da Finlândia – Uma espera de mais de 80 anos chegou ao fim em 2019. Sem considerar Jogos Olímpicos, os finlandeses jamais haviam se classificado para nenhum torneio de primeira linha do futebol. Na Copa do Mundo o país tenta passar pelas Eliminatórias desde a edição de 1938. Na Eurocopa foram sucessivas tentativas desde 1968, sempre frustradas. Até que o formato inchado da Euro de 2020, com 24 participantes, finalmente possibilitou uma classificação. Os “corujas” (alcunha da seleção) terminaram com a segunda colocação no Grupo J das Eliminatórias, à frente de países como Grécia e Bósnia, e chegaram lá. Vale dizer que o país já havia conseguido outro feito interessante no fim de 2018, com o acesso do “grupo C” para o “grupo B” na recém-criada Liga das Nações da Uefa.

Seleção de Madagascar – Uma seleção com grandes nomes… não, não que tivesse jogadores famosos, mas eles tinham nomes realmente grandes, como Andriamatsinoro, Razakanantenaina, Andrianarimanana e até um certo Romario Baggio. Madagascar já chamou atenção antes de entrar em campo e conseguiu fazer muito mais do que ser um time exótico em seu primeiro Campeonato Africano de Nações. Foi a seleção líder de seu grupo na primeira fase, derrotando a Nigéria por 2 a 0, e tirou a Rep. Dem. do Congo nas oitavas em um jogo eletrizante decidido nos pênaltis. Caiu nas quartas, diante da Tunísia, mas já tinha feito história.

Seleção feminina da Tailândia – Na Copa do Mundo feminina de maior visibilidade da história, o mundo aprendeu a amar a seleção tailandesa. Por sorte ou azar, elas caíram no grupo de duas das equipes mais fortes do torneio. Levaram 13 x 0 dos Estados Unidos (a maior goleada de uma Copa do Mundo em todos os tempos) e 5 x 1 da Suécia (quando emocionaram pela forma como comemoraram seu único gol no torneio). Não à toa foram aplaudidas com grande entusiasmo na última partida, quando perderam por 2 a 0 para o Chile.

Seleção de Suriname – Na versão da Concacaf da Liga das Nações quem surpreendeu foi o Suriname. O país que tanto exporta talentos para o futebol holandês (lá nasceram Seedorf e Davids, para ficar em apenas dois exemplos) finalmente conseguiu um brilho próprio. Em 2019, os surinameses – dessa vez representando sua nação de nascimento – venceram seu grupo na segunda divisão da Liga das Nações, graças a uma vitória contra a Nicarágua decidida com gol do sobrinho de Jimmy Hasselbaink (surinamês que defendeu a seleção holandesa por quase dez anos). Assim, o país confirmou sua classificação para a Copa Ouro de 2021 e jogará o principal torneio de sua região pela primeira vez (considerando o formato atual da Copa Ouro, que começou em 1991).

Seleção Mapuche – O grupo indígena mais importante do Chile fez história em 2019 ao se tornar a primeira seleção do continente sul-americano a se filiar à Conifa (Confederação de Futebol de Associações Independentes), associação mundial que reúne países e povos que não fazem parte da Fifa. Mas 2019 não foi apenas de reconhecimento esportivo: o povo mapuche (que tem como uma de suas mais célebres personalidades o índio Colo-Colo, que batizou o maior time de futebol do país) terminou o ano levando sua bandeira aos históricos protestos de rua chilenos. Vale dizer que um dos fatos que mobilizaram os chilenos a repensarem sua sociedade foi a morte do mapuche Camilo Catrillanca, morto de forma suspeita por policiais no fim de 2018. O fato ocorreu um ano antes das manifestações pelo aumento das tarifas do metrô, quando o rosto de Camilo e a bandeira mapuche se fizeram fortemente presentes nas ruas.

Toledo (PR) – Os regulamentos bizarros dos estaduais servem para gerar histórias assim: o Toledo fez a segunda pior campanha geral do Paranaense (12 pontos em 11 jogos), o que deveria rebaixá-lo, mas acabou vice-campeão. Explica-se: 10 pontos foram conquistados no primeiro turno, quando a equipe se sagrou campeã vencendo o Coritiba nos pênaltis. Já no segundo turno, estreou levando 8×2 do Athletico-PR e não venceu uma partida sequer… só que não importava mais, já tinha lugar garantido na decisão e não podia mais cair. Parecia que o Toledo estava guardando energia para a grande final, entre os vencedores de cada turno, quando vendeu caro o título para o Athletico-PR (uma vitória para cada lado e derrota do clube do interior nas penalidades).

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