10+ Última Divisão: as equipes que marcaram o ano de 2017

0 614

Quem foi o melhor time de 2017? O Corinthians, campeão brasileiro; o Grêmio, campeão da Copa Libertadores; ou o Real Madrid, campeão mundial?

Certamente, os três clubes reforçaram suas posições entre os times mais vitoriosos de suas épocas, mas nem sempre um título escreve uma página tão marcante na história de um clube – especialmente em casos de agremiações bastante acostumadas a escrever páginas vitoriosas de suas histórias, como as três citadas.

Para olhar o futebol de maneira democrática, é preciso olhar além dos principais títulos. É preciso olhar também quem brilhou em escalões inferiores ou vacilou no caminho ao topo do mundo. É preciso ver quem alcançou o inimaginável e quem passou perto.

E foi isso que o Última Divisão tentou buscar mais uma vez.

A exemplo do que temos feito desde 2014, aproveitamos o fim do ano e acionamos nossa rede de colegas jornalistas para que cada um avaliasse quais equipes, de uma lista pré-concebida, foram mais marcantes no ano de 2017.

Leia também:
>> 10+ Última Divisão: as equipes que marcaram o ano de 2014
>> 10+ Última Divisão: as equipes que marcaram o ano de 2015
>> 10+ Última Divisão: as equipes que marcaram o ano de 2016

Esta lista fala de times, mas pedimos também para que fossem avaliados também os jogos e os jogadores que marcaram os últimos 12 meses. Nos três casos, o objetivo foi, a exemplo do que rolou nos anos anteriores, elencar de forma democrática o que de mais destacado aconteceu no futebol mundial ao longo do último ano. A nossa retrospectiva.

O regulamento, apenas para reforçar, é o mesmo dos anos anteriores. Em um BRAINSTORM, nossa equipe listou 30 partidas, 30 jogadores e 30 times que marcaram o ano. Desta lista, enviamos um formulário para os seletos eleitores, que deram a cada “candidato” uma nota de 1 a 5, sendo 1 o menos marcante e 5 o mais marcante. Com a divisão de notas totais pelo número de eleitores, fizemos a média para apontar os 10 mais marcantes em cada categoria.

Aqui, falamos dos times que marcaram a temporada. Como dito, nem sempre os títulos definem um ano histórico para um time – e você verá que poucos dos times marcaram o ano por serem campeões. A relação final de 2017 conta com cinco seleções, quatro times brasileiros e apenas um time estrangeiro.

Por fim, deixamos aqui nosso agradecimento aos 36 convidados que tiveram a paciência de votar na eleição de 2017. A atenção de vocês é uma grande recompensa ao nosso trabalho.

10+ ÚLTIMA DIVISÃO
AS EQUIPES QUE MARCARAM O ANO DE 2017

10. Lanús (Argentina): nota 3,8055

Campeão argentino de 2016, o Lanús não encheu os olhos do torcedor durante a fase de grupos da Copa Libertadores da América – mas tampouco passou apuros. Líder do Grupo 7 com três vitória (uma delas conquistada nos tribunais diante da Chapecoense, após derrota por 2 a 1 em casa), o time passou apertado pelo The Strongest nas oitavas e conseguiu classificações heróicas diante dos compatriotas San Lorenzo (quartas de final) e River Plate (semifinais) – nas duas vezes, reverteu resultados negativos dos jogos de ida. Nas finais, porém, caiu diante do Grêmio com duas derrotas.

(Crédito: Olé/Reprodução, via Futebol Latino)

9. Fortaleza (CE): nota 3,8888

Rebaixado da Série B do Brasileiro em 2009, vinha deixando o acesso escapar na Série C desde então – caiu nas quartas de final em 2012, 2014, 2015 e 2016, sempre tropeçando em casa nos jogos que valeram a promoção. Em 2017, porém, a saga do Leão do Pici na terceira divisão nacional terminou: dono da terceira melhor campanha do Grupo A na primeira fase, encarou o Tupi nas quartas de final, com uma vitória (2 a 0) no CE e uma derrota (1 a 0) em MG. De volta à segunda divisão nacional, o Fortaleza ainda garantiu presença nas manchetes de todo o país ao anunciar Rogério Ceni como treinador para 2018, ano em que comemora seu centenário.

(Crédito: Fortaleza EC/Divulgação)

7. Egito (seleção masculina principal): nota 3,9444

A sétima posição da lista tem um empate entre duas equipes. Pela terceira vez em sua história, os egípcios vão para uma Copa do Mundo – antes, foram para o torneio em 1938 e 1990. Depois de estrear na segunda fase das eliminatórias africanas com uma classificação sobre o Chade, a seleção do técnico argentino Héctor Cuper (aquele mesmo) levou a melhor no Grupo E da terceira fase, eliminando Uganda, Gana e Congo. No jogo decisivo, venceu os congoleses por 2 a 1, graças a dois gols de Mohamed Salah – o último, em um pênalti nos acréscimos.

(Crédito: Ahmed Gomaa/Xinhua)

7. Paraná Clube (PR): nota 3,9444

O clube começou a temporada de 2017 com uma eliminação traumática: dono da melhor campanha da primeira fase do Campeonato Paranaense, caiu diante do Atlético-PR já nas quartas de final. No entanto, não se abateu depois disso e chegou às semifinais da Primeira Liga (eliminando o Flamengo nas quartas). De quebra, na Série B, conquistou o acesso após 10 anos, em campanha marcada pela demissão do técnico Lisca, pelo apoio da torcida (com direito a recorde na Arena da Baixada no jogo contra o Internacional) e pela comunicação irreverente do clube nas redes sociais.

(Crédito: William Bittar/Massa News)

6. Panamá (seleção masculina principal): nota 4,0277

Na última rodada do quinta fase das eliminatórias da Concacaf para a Copa do Mundo de 2018, os panamenhos precisavam de uma combinação de resultados se quisessem garantir a inédita vaga. Mas não é que a combinação veio? Em casa, o Panamá venceu a Costa Rica por 2 a 1; em Trinidad e Tobago, os EUA perderam para os donos da casa pelo mesmo placar. Assim, o Panamá terminou com o terceiro lugar do hexagonal e a vaga direta, à frente de Honduras (que foi para a repescagem intercontinental) e dos EUA (eliminados).

(Crédito: Reuters, via The Sun)

4. Síria (seleção masculina principal): nota 4,0555

A seleção síria rapidamente se tornou um xodó das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2018. Depois de eliminar Cingapura, Afeganistão e Camboja na segunda fase, foi à terceira e eliminou Uzbequistão, China e Qatar. Com o terceiro lugar no grupo, foi à repescagem continental contra a Austrália, terceira colocada do outro grupo. Nos confrontos, porém, vendeu caro a vaga, com um empate em “casa” (mandando os jogos na Malásia) e uma derrota por 2 a 1 fora de casa, graças a um gol de Tim Cahill na prorrogação. Na repescagem intercontinental, os australianos despacharam Honduras e voltaram ao Mundial.

(Crédito: William West/AFP)

4. Novo Hamburgo (RS): nota 4,0555

O Novo Hamburgo fez a melhor campanha da primeira fase do Campeonato Gaúcho, mas será que conseguiria resistir ao poderio de Grêmio e Internacional no mata-mata da competição? Sim, conseguiu. Nas semifinais, com dois empates, eliminou o Grêmio (que jogou com titulares) nos pênaltis. Nas finais, com mais dois empates, levou o inédito título diante do Inter e encerrou uma série de seis títulos seguidos do adversário do Gauchão.

(Crédito: Adilson Germann/EC Novo Hamburgo)

3. Peru (seleção masculina principal): nota 4,2777

Na última rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018, o Peru empatou por 1 a 1 com a Colômbia em Lima. O resultado colocou os colombianos no Mundial e mandou os peruanos para a repescagem intercontinental. Ali, precisaria passar pela Nova Zelândia – e sem poder contar com o astro Paolo Guerrero, preventivamente suspenso por doping. Depois de um empate em 0 a 0 com a Oceania, a seleção de Ricardo Gareca venceu por 2 a 0 no Estádio Nacional de Lima e carimbou o passaporte. Pela primeira vez desde 1982, o Peru se garantiu em uma Copa do Mundo – na qual espera contar com Guerrero.

(Crédito: Ernesto Benavides/AFP)

2. Islândia (seleção masculina principal): nota 4,5277

Enfim, chegou a vez dos islandeses. Depois de perder a vaga na Copa de 2014 para a Croácia na repescagem, a seleção conquistou uma vaga na Euro 2016, chegando até as quartas de final. Em 2017, veio o grande salto: nas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2018, o time ficou com o primeiro lugar no Grupo I, deixando para trás três seleções com participações recentes no torneio – Croácia (que foi para a repescagem continental), Ucrânia e Turquia (eliminadas). Foi a primeira estreante a garantir vaga na Copa de 2018.

(Crédito: Getty Images, via Eurosport)

1. Chapecoense (SC): nota 4,6666

Não há dúvidas de que a Chape é responsável por algumas das histórias mais marcantes do futebol brasileiro nos últimos anos. Em 2017, o time teve a missão de se reconstruir após o desastre aéreo de novembro de 2016, quando 71 pessoas morreram às vésperas das finais da Copa Sul-Americana. Em campo, o time respondeu com o título do Campeonato Catarinense e com três vitórias na fase de grupos da Libertadores – uma delas, porém, cassada na Conmebol após denúncia de escalação irregular de Luiz Otávio. O resultado adverso custou a classificação às oitavas de final do torneio, mas a resposta veio em campo: no Brasileirão, somou 54 pontos e conquistou o oitavo lugar, seu melhor desempenho na elite nacional.

(Crédito: Sirli Freitas/Chapecoense)

Quem votou

Adalberto Leister Filho (R7), Alexandre Senechal (Veja), Allan Brito (Última Divisão), Allan Farina (Goal Brasil), Anderson Moura (Outside of the Boot), Bruno Guedes (EFE), Camila Srougi (freelancer), Carlinhos Novack (SPNet e Última Divisão), Corneta Europa, Diego Freire (Última Divisão), Eduardo Carneiro (UOL), Emanuel Colombari (UOL), Fabio Chiorino (ESPN Brasil), Fábio Marcondes (Rádio De Prima e Rádio Coringão), Felipe Lobo (Trivela), Fernanda Filomeno (EFE), Fernando Cesarotti (ESPN FC), Gabriel Andrezo (FutRio), Gabriel Dantas (GloboEsporte.com Vale do Paraíba), Gabriel Francisco Ribeiro (UOL), Gabriela Ribeiro (GloboEsporte.com Paraná) Igor Nishikiori (Última Divisão), João Paulo di Medeiros (Jornal O Popular), Juliana Fontes (Tribuna do Paraná), Leandro Santiago (TV Anhanguera Tocantins), Leonardo Bonassoli (Futebol Metrópole), Letícia Sechini (ESPN FC), Lucas Mello (Placar), Luís Augusto Símon (UOL), Luís Felipe dos Santos (Zero Hora e Puntero Izquierdo), Marcelo Carvalho (Observatório da Discriminação Racial no Futebol), Monique Vilela (Rádio Banda B), Olga Bagatini (UOL), Rafael Alves (Planeta Futebol Feminino), Rodrigo Gasparini (Jornal Cruzeiro do Sul, Rádio Cruzeiro FM e Trivela) e Yuri Casari (Do Rico ao Pobre).

(A imagem que abre o texto é uma reprodução de World Soccer, game do Master System)

Você pode gostar também
Comentários
Carregando...