10 momentos que marcaram os 100 anos do Figueirense

Divulgação/Site oficial
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O clube dos clubes centenários do futebol brasileiro ganhou mais um integrante em 2021: o Figueirense Futebol Clube, fundado em 12 de junho de 1921. Um dos maiores campeões catarinenses de todos os tempos, e com até título internacional no currículo, o Figueira infelizmente vive tempos ruins nesses últimos anos.

Mas, para celebrar os 100 anos do Figueira, o Última Divisão relembra aqui 10 fatos que marcaram a história do clube.

 

1) Identidade

Um grupo de amigos de Florianópolis vinha se reunindo pelo menos desde 1916 para fundar um clube de futebol. Muitas das reuniões aconteciam no bairro da Figueira, que tinha esse nome em referência a uma figueira bastante emblemática.

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Em homenagem ao local das reuniões, os fundadores decidiram dar o nome de Figueirense ao clube.

O bairro, porém, deixou de existir na primeira metade do século 20, diante de reformas urbanas que expulsaram populações mais pobres para regiões periféricas de Florianópolis.

Desde esta época, o clube já se vestia de preto e branco com detalhes em verde, cores que veste até hoje.

 

2) Quem foi Orlando Scarpelli?

Você sabe que o estádio do Figueirense é o Orlando Scarpelli. Mas quem foi Orlando Scarpelli?

Orlando Scarpelli foi um empresário que presidiu o Figueirense entre 1944 e 1945. Foi pouco tempo, mas foi ele o responsável pela doação do terreno para a construção do estádio que levaria seu nome.

Em 1947, o clube lançou títulos patrimoniais para arrecadar fundos para as obras. E o Orlando Scarpelli recebeu o título de sócio Grande Benemérito do Figueirense — a única pessoa da história do clube com esse título.

Mesmo morando fora de Florianópolis, Scarpelli seguiu acompanhando as obras do estádio. Nos anos seguintes, seguiu ajudando o clube. Na década de 70, por exemplo, ajudou o Figueira a disputar o Campeonato Brasileiro viabilizando melhorias no estádio.

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Sr. Orlando Scarpelli (Acervo Figueirense)

 

3) Por que ‘Estreito’?

Você já deve ter visto alguém se referir ao Figueirense como Furacão do Estreito ou Alvinegro do Estreito. Mas por quê?

Para quem conhece Florianópolis, a pergunta pode ser meio boba. Mas vale a explicação para quem é de fora: Estreito é um bairro de Floripa, na parte continental da cidade. Como fica na parte mais estreita da separação entre continente e ilha, o bairro acabou ganhando esse nome.

E como o Orlando Scarpelli fica no bairro, pertinho ali da divisa com São José, nada mais justo que agregar o bairro ao apelido do clube.

4) 22 jogadores expulsos

Em 1º de abril de 1971, Avaí e Figueirense fizeram um amistoso no antigo estádio Adolfo Konder que não teve nada de amistoso. O jogo terminou com 22 jogadores expulsos. A partida foi organizada para celebrar o aniversário do golpe militar de 1964. E como você já deve imaginar, não foi das mais vistosas.

O jogo estava 0 a 0 quando, no segundo tempo, o atacante Cláudio, do Figueira, levou a pior em uma dividida com o zagueiro Deodato, do Avaí. Os dois se estranharam, e logo os demais jogadores se envolveram na confusão.

O árbitro Gilberto Nahas não pensou duas vezes e saiu dando cartão vermelho pra todo mundo. Detalhe: ele era sargento da Marinha e foi pressionado no vestiário para que as expulsões fossem repensadas. Mas não voltou atrás.

Se quiser saber mais dessa história, já contamos ela aqui no UD.

Imagens do chamado Clássico da Vergonha

 

5) O título internacional de 1995

Em 1995, a Federação Catarinense organizou um torneio de pré-temporada com nove times. O Figueirense acabou sendo campeão.

Mas vale destacar a lista de presentes. Dos nove times, cinco eram catarinense: Figueirense, Marcílio Dias, Avaí, Criciúma e Joinville. O Coritiba também marcou presença.
Os outros três times eram estrangeiros: Olímpia, do Paraguai, e Nacional e Cerro, do Uruguai. Foi o Torneio Mercosul.

O Figueira estreou nas quartas de final, logo contra o Olimpia. E depois de um 2 a 2 no tempo normal, venceu por 1 a 0 na prorrogação e avançou.

Nas semifinais, venceu de novo: 1 a 0 no Marcílio. E na decisão, mais uma vitória: 1 a 0 sobre o Joinville, com gol de Biro-Biro na prorrogação.

 

6) Albeneir…

Ao longo da história, o Figueirense reuniu grandes ídolos. Talvez o maior deles seja o atacante Albeneir, que jamais conquistou títulos pelo clube.

Natural de Belo Horizonte e revelado pelo Cruzeiro, Albeneir teve cinco passagens pelo Figueira entre 1981 e 1993.

Chegou a disputar a segunda divisão do Catarinense pelo Figueira em 1987, e foi vice-artilheiro. Ao longo da trajetória, marcou 93 gols, o que o colocou entre os maiores artilheiros da história do time.

Albeneir (Reprodução/Terceiro Tempo)

7) Ou Fernandes?

Mas o Figueirense viu um ídolo gigante surgir no clube nas décadas mais recentes: o meia-atacante Fernandes.

Com quatro passagens pelo Figueira entre 1999 e 2012, Fernandes é o maior artilheiro da história do clube, com 108 gols, e o terceiro jogador com mais jogos pela equipe, com 403.

Fernandes ainda disputou 11 vezes o Catarinense pelo Figueirense, conquistando seis vezes o título. E ainda ajudou o time a chegar às finais da Copa do Brasil de 2007, perdendo o título para o Fluminense.

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Fernandes (Luiz Henrique/Figueirense)

8) O Figueirense x Caxias de 2001

O Figueirense conquistou sua vaga no Brasileirão de 2002 ao ser vice-campeão da Série B de 2001. Mas o jogo do acesso foi uma confusão digna de registro.

Naquela partida, o Figueirense recebeu o Caxias no Orlando Scarpelli e ia vencendo por 1 a 0 até os acréscimos do segundo tempo. Só que a torcida não quis esperar e invadiu o gramado para comemorar antes do apito final.

O árbitro daquele jogo era o Alfredo dos Santos Loebeling, que se aposentou depois da partida. Em entrevista para o Última Divisão, o Loebeling afirmou que foi orientado pelo Armando Marques, então presidente da comissão de arbitragem da CBF, a relatar que a invasão foi depois do jogo.

Vale registrar: o próprio Loebeling garante que não houve pressão do Figueirense ou da Federação Catarinense a respeito.

 

9) O Figueirense x Corinthians de 2005

O Corinthians foi campeão brasileiro de 2005 com um timaço que tinha jogadores como Tevez, Gil, Carlos Alberto, Fábio Costa, Coelho e Gustavo Nery. Mas antes disso, o Corinthians passou maus bocados diante do Figueira.

Foi na Copa do Brasil daquele ano. Os dois times se encontraram nas oitavas de final e o Corinthians venceu o jogo de ida por 2 a 0. Mas o Figueirense deu o troco e venceu a volta pelo mesmo placar, com gols de Bilu e Rodrigo.

O jogo foi para os pênaltis, e três corintianos acabaram perdendo as cobranças: Carlos Alberto, Roger e Sebá. A cobrança do Roger se tornou a mais marcante, já que ele praticamente isolou a bola.

Pouco tempo depois, o Corinthians demitiria o técnico Daniel Passarella e seria comandado interinamente por Márcio Bittencourt. Já o Figueira cairia nos pênaltis nas quartas de final da competição, diante do futuro campeão Paulista de Jundiaí.

 

10) Anos de crise

O Figueirense virou clube-empresa em 2017, mas os resultados foram desastrosos. Na Série B de 2018, o clube foi só o 15º colocado, perto da zona de rebaixamento. Foi a pior campanha do clube até então na competição desde a adoção dos pontos corridos.

Mas 2019 foi pior ainda. O time chegou a perder por WO para o Cuiabá e a ocupar a lanterna da Série B. Até que rompeu o contrato com a empresa que gerenciava o clube.

No fim, a torcida abraçou o time, que conseguiu uma reação milagrosa e escapou da queda.

Mas a situação não melhorou muito em 2020. O Figueira terminou a Série B com a 17ª colocação e acabou rebaixado para a Série C, torneio que disputa em 2021.

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