Guia Improvável da Copa do Brasil 2017

Guia Improvável da Copa do Brasil 2017

CARO(A) LEITOR(A)

O melhor do Brasil é…? A Copa do Brasil!

Por Julio Simões

Não há nada mais brasileiro do que a Copa do Brasil. Uma infinidade de times, grandes e pequenos, se enfrentam em busca do sonho de ser campeão nacional e jogar a cobiçada Copa Libertadores da América. Quer dizer, alguns querem mesmo é casa cheia, nem que a “casa” seja alugada e fique em um “bairro” distante. Tudo para fazer o pé de meia e poder pagar as contas do resto do ano. Quer coisa mais brasileira do que isso?

Porém, sempre tem uma CBF no meio do caminho – olha aí outro traço muito nosso.

Neste ano, a entidade mexeu seus pauzinhos e incluiu uma regra que pode encurtar as chances de sucesso das equipes menores: as fases iniciais serão em jogo único e com vantagem do empate para o melhor colocado no ranking. Por um lado, isso obriga o time maior a usar seus titulares desde o começo, já que antes alguns os poupavam de olho na partida de volta, em casa. Por outro, os menores terão apenas 90 minutos para superar o adversário, quase sempre de maior poder econômico. Como isso nunca aconteceu antes, vamos aguardar e ver quem será ajudado ou prejudicado…

Em todo caso, nada disso tira a beleza da competição mais democrática do país. E é por isso que, pelo quarto ano consecutivo, mobilizamos nossa equipe fixa e uma série de colegas para produzir um conteúdo especial sobre ela, o já famoso Guia Improvável da Copa do Brasil, onde os menores têm espaço maior, invertendo a lógica dos guias de competições tradicionais, que focam apenas nos favoritos. Para não se estender, nós, do Última Divisão, fazemos apenas um pedido: se você enxergar valor neste trabalho, COMPARTILHE nas suas redes sociais. É muito importante para que ele alcance mais pessoas e nos motive a seguir fazendo nos próximos anos. Desde já, agradecemos. 😀

Bom, vamos ao que interessa. Boa leitura e uma ótima Copa do Brasil a todos os times!

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RAIO-X

Novatos debutam sonhando com ano fantástico

Entre os 10 estreantes desta Copa do Brasil, oito disputarão também o Brasileiro Série D 2017

Por Felipe Augusto, da Revista Série Z

Democrática que é, a Copa do Brasil sempre tem novidades entre os clubes participantes. No ano passado, 10 times tiveram a honra de jogar o mata-mata nacional pela primeira vez e, neste ano, outros 10 terão a mesma oportunidade – entre eles, uma agremiação centenária e duas que sequer têm uma década de existência.

No entanto, não são apenas as diferenças que marcam estas estreias. Alguns novatos se parecem em muitos pontos, como na profissionalização tardia ou no fato de estarem em franca ascensão. Há ainda outro detalhe interessante: oito dos 10 estreantes também disputarão a Série D do Brasileiro neste ano.

Por isso a Copa do Brasil pode ser o início de um ano ainda mais histórico do que já é para estes times, apesar do novo formato da competição, que diminui as chances de sucesso dos times menores. Para apresentar estes calouros, investigamos a trajetória de cada um deles. Confira:

Altos-PI: fundado em 2013, profissionalizado e campeão da segunda divisão estadual em 2015, vice-campeão estadual e um flerte com o acesso na Série D em 2016. Este é o Altos, clube mais emergente do Nordeste brasileiro atualmente. Como um raio, a equipe atingiu um patamar que muitos clubes do estado não conseguiram em um período maior. A Copa do Brasil é mais um passo para continuar esta trilha de sucesso.

Anápolis-GO: um dos poucos clubes a quebrar a hegemonia estadual na história (venceu em 1965), o Anápolis finalmente disputará uma Copa do Brasil. Após anos só assistindo a estabilidade do Anapolina, o Galo da Comarca mudou e conseguiu terminar acima do rival. Com um time digno de Mercadão Alternativo (Leandro Euzébio, Toró e Waldemar Lemos), conquistou o vice-estadual e se classificou para a disputa inédita.

Audax-SP: conhecido como o ‘time que toca a bola’, o Audax é daqueles clubes menores que faz até o mais ‘elitizado futebolisticamente’ parar para assistir ao jogo da equipe. Comandado pelo técnico Fernando Diniz, que em 2016 “revelou” Tchê Tchê (Palmeiras), Sidão (São Paulo) e Camacho (Corinthians), a equipe nascida como Pão de Açúcar EC promete repetir o estilo de jogo atual, moderno e encantador que já virou sua marca.

Oeste-SP: apesar do título da Série C do Brasileiro em 2012, o Oeste de Itápolis (ou seria de Barueri, para onde se mudou nesta temporada?) vem flertando com o rebaixamento na Série B há alguns anos e definitivamente não tem conseguido boas campanhas no Estadual. Rebaixado novamente em 2016 (havia sido em 2014), disputará a Série A-2 do Paulistão neste ano e, entre os estreantes, é o único cabeça-de-chave que se classificou pelo ranking da CBF.

PSTC-PR: você já deve ter ouvido falar dele, seja pela piada (ruim) da sigla de partido político ou pelo ótimo trabalho de base. Pois bem, devido a uma mudança no estatuto da federação local há alguns anos, o clube teve que se profissionalizar. Original de Londrina, o clube adotou Cornélio Procópio, onde, com apelo do público, chegou nas semifinais do último Paranaense e se beneficiou da ida do Atlético-PR à Libertadores para estrear na Copa.

Rondoniense-RO: o Rondoniense Social Clube foi fundado em 2010, com foco nas categorias de base. A estreia no futebol profissional só aconteceu no ano passado, ano em que a equipe faturou o título estadual e a vaga inédita na copa nacional. A expectativa do clube de Porto Velho é se fortalecer a cada ano, se possível acumulando acessos em torneios nacionais.

São Bento-SP: não, o São Bento não é apenas o clube do coração do ator Paulo Betti – embora isso seja bem legal. É um clube de 103 anos de história, que, por mais estranho que pareça, nunca jogou a Copa do Brasil. A vaga inédita tem relação com a mudança de gestão dos últimos anos, que também rendeu o 5º lugar no Paulistão 2016 e o acesso à Série C 2017. Marcelo Cordeiro e Morais, que iniciaram essa história, voltam ao clube para esta nova missão.

São Francisco-PA: assim como o São Bento, o São Francisco também vem se estabilizando nos últimos anos. Com 87 anos de futebol, a agremiação devolveu ao torcedor azulino a emoção de vibrar com vitórias no Colosso dos Tapajós quando venceu o segundo turno estadual no ano passado. No entanto, o time ainda tenta fazer frente ao São Raimundo, que venceu a primeira edição da Série D do Campeonato Brasileiro, em 2009.

Sete de Dourados-MS: em 22 anos de história, o Sete sempre foi coadjuvante no futebol sul-matogrossense. No ano passado, porém, o time se planejou e conseguiu seu primeiro título estadual, tendo Eduardo Arroz como maior destaque. No segundo semestre, apostou em Aloísio Chulapa para a Série D do Brasileiro, mas ele pouco jogou. Agora, o estádio Douradão voltará a receber a Copa do Brasil, competição já disputada pelo tradicional Ubiratan.

Uniclinic-CE: antes conhecido apenas por ser um clube simpático de Fortaleza, o Uniclinic teve uma campanha surpreendente em 2016, quando, contra todos os prognósticos, terminou em segundo lugar no Campeonato Cearense. Se o ano passado já foi histórico, imagina 2017, que terá Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Série D. Fiquemos de olho na Águia de Precabura!





PERFIL

PSTC: ‘celeiro’ foca profissional, mas sem deixar raízes de lado

Time paranaense já lançou jogadores que atuaram em Copas e Eurocopas, como volante Kléberson e goleiro Guilherme

Por Leonardo Bonassoli, do Futebol Metrópole

Guilherme; Rafinha, Gabriel Silva, Bruno Viana e Abner; Fernandinho (foto ao lado), KIéberson, Reginaldo Vital e Jadson; Dagoberto e Getterson. Tirando a zaga, de jogadores não tão conhecidos, esse parece um time forte: são alguns dos revelados pelo PSTC, clube do norte do Paraná, fundado em 1994, que entre suas estrelas tem um pentacampeão pela seleção brasileira (Kléberson), um jogador que jogou a Copa do Mundo de 2014 (Fernandinho), atletas com boa passagem pela seleção (Rafinha e Jadson) e até o goleiro reserva da seleção da Rússia na última Eurocopa (Guilherme).

Fernandinho, hoje no Manchester City-ING, em tempos de PSTC-PR

Agora, 23 anos depois de nascer, o clube, que manda seus jogos em Cornélio Procópio, perto de Londrina, estreará na Copa do Brasil, após um batismo nacional discreto na Série D, em que ficou na lanterna de sua chave. O debute será em jogo único, contra o Ypiranga-RS, dia 8 de fevereiro, às 20h30, no Ubirajara Medeiros, e o vencedor poderá cruzar com o poderoso São Paulo.

O PSTC é uma das exceções do futebol do interior paranaense por ter calendário o ano inteiro, já que está confirmado na Série D (Operário, que joga a Segundona Estadual e a Série D e Londrina, que joga a Série B do Brasileiro, são os outros). Com isso, pôde mesclar a base jovem de clube revelador com alguns jogadores mais rodados, por mais que isso não tenha significado um aumento nas receitas.

“Primeiro, temos que montar um time forte, e depois nós corremos atrás. Buscamos com os reforços atrair esse apoio, mostrando ao patrocinador que vale a pena. O calendário não mudou a questão de investidores. Por ser um clube que tem a tradição de revelar atletas, isso atrai outros jogadores, além do projeto que apresentamos”, disse o diretor de futebol, Renato David, ao globoesporte.com.

No entanto, se passar de fase, um duelo contra o São Paulo poderá significar um upgrade na arrecadação e até em patrocínios pontuais. Assim, junto à prata da casa, o PSTC investiu em veteranos como o meia Rone Dias, ex-Paraná, Operário e Londrina, em estrangeiros como o atacante argentino Francisco Miño, no goleiro Vítor, ex-Londrina, que não atuará em partidas aos sábados por motivos religiosos, e em uma revelação que acabou não vingando como se esperava, o meia Gabriel Pimba, 26 anos, ex-Atlético-PR.

Foi justamente a parceria com o Atlético-PR a mais prolífica para o PSTC. O Furacão se associou ao clube nortista em 1999, logo após ver o talentoso meia Reginaldo Vital, fruto de parceria com o Paraná, deixar o rival tricolor em direção ao futebol japonês em 1998. O primeiro fruto desta era de ouro foi justamente o meia Kléberson, que depois rendeu aos dois clubes alguns milhões de dólares na venda ao poderoso Manchester United. O clube continua faturando pelo mecanismo de solidariedade da Fifa a cada transferência internacional de suas pratas da casa e é o que ajuda o clube a se manter.

O PSTC tinha função primordial de garimpar talentos, principalmente por meio de seu olheiro Aliomar Mansano, o Ticão, falecido em 2013, e lapidá-los até a categoria sub-18 em seus vários centros de treinamento na região de Londrina. Depois, os jogadores selecionados iam ao Rubro-Negro. Uma exceção foi o lateral-direito Rafinha, que acabou parando no rival Coritiba. Naquela época, o PSTC disputava apenas categorias de base, sem precisar se preocupar com o futebol adulto. A parceria durou até 2009.

A virada deu-se logo no ano seguinte, 2010, quando a Federação Paranaense passou a exigir que os clubes profissionais disputassem as competições adultas profissionais e também pelo menos uma competição de base. Com isso, o PSTC passou a militar nas divisões de baixo do Campeonato Paranaense. Em 2013, quando subiu à Segundona, fez parceria com a cidade de Cornélio Procópio, órfã de time desde o licenciamento do Comercial em meados dos anos 90, passando a mandar jogos no Ubirajara Medeiros.

Em 2015, o clube resolveu dar a chance para sua primeira revelação como jogador começar a carreira de treinador: Reginaldo Vital, que agora pode ser considerado também como o primeiro treinador revelado pelo clube. O ex-volante aproveitou a chance e levou o time à elite estadual na primeira temporada, com o título da Segundona e a uma incrível semifinal estadual na segunda, tendo de superar perrengues, como a perda do auxiliar técnico Reginaldo Araújo, morto após parada cardíaca durante a pré-temporada. Perto de fazer 41 anos, o treinador tem a chance, caso passe de fase, de chamar a atenção contra um gigante paulista, assim como fez seu antigo colega de Paraná Clube, Caio Júnior.

E a base? No nível estadual na última temporada, o PSTC disputou as categorias sub-15, sub-16 e sub-17, não participando do sub-19, mas parece ter alguns artilheiros despontando. No sub-15, o clube ficou em terceiro e emplacou um dos artilheiros, Alex Honório, com 11 gols, empatado com dois atletas do Coritiba. No sub-16, veio o vice-campeonato, ficando Lucas Xavier com a artilharia, três gols. No sub-17, os resultados foram mais modestos: um sétimo lugar, com Gabriel Teles na vice-artilharia, com 14 gols. Quem sabe algum deles não aparece no PSTC adulto ou em algum outro clube nos próximos anos?


LISTA

De Igreja a Rolo Compressor: os mascotes e apelidos mais legais desta edição

Mais do que símbolos, eles são expressões genuínas da maravilhosa cultura do futebol - e nós amamos!

Por Will Rosa

O futebol é característica forte da nossa cultura, que contempla influência geográficas, ambientais, e do cotidiano do povo. A natureza do jogo é o que transforma, apaixona e representa. E é essa representatividade que faz dos mascotes e apelidos um assunto curioso e interessante fora de campo. A simbologia é do povo, e o povo é o futebol.

Campeão da Copa do Brasil em 2004, o Santo André é um dos raros clubes que não têm bichos como mascote. A história por trás de seu símbolo vem de um português chamado João Ramalho, que viveu entre os índios antes mesmo das expedições colonizadoras que fundaram São Paulo. João Ramalho foi nomeado capitão da Vila de Santo André por Tomé de Sousa, o primeiro Governador Geral do Brasil. E assim nasceu o Ramalhão, uma homenagem do Santo André-SP ao patrono da cidade no ABC Paulista.

Anos depois, retornando ao período colonial, em Luziânia-GO, foi construída a Igreja do Rosário, que durante muitos anos foi frequentada por escravos, e naturalmente se tornou um importante símbolo da cidade. O time da cidade, Associação Atlética Luziânia-DF, leva tanto simbolismo local que adotou a igreja em seu escudo, e também fez da Igreja Boleira o seu mascote.

Por falar em período colonial, o mascote do Friburguense-RJ remete em sua raiz a colonização alemã da cidade, que apesar de ter sido fundada por suíços, tem na origem o primeiro aporte dos colonos germânicos em terra brasilis. As referências são visíveis no Vovô Chopão, mascote do time fluminense.

Ramalhão (Santo André-SP), Igreja (Luziânia-DF) e Vovô Chopão (Friburguense-RJ)

Referências regionais também são muito presentes na escolha dos mascotes, e foi assim que o Itabaiana-SE adotou o seu. A cidade sergipana de Itabaiana é nacionalmente conhecida como a “Terra da Cebola” e essa fama fez com que os torcedores adversários provocassem cantando a palavra “ceboleiros” para os adeptos do clube.

A provocação era tão corrente que sem muito esforço os próprios partidários do Itabaiana resolveram adotar a planta como mascote. Ou seja, virou comum ver a Cebola Sarada, que atende pela alcunha de Tremendão, com roupa de super-herói frequentando as arquibancadas do Presidente Médici, estádio do clube.

A geografia também é referência importante no mascote da Luverdense-MT, o clube tem sede na cidade de Lucas do Rio Verde, considerada uma das maiores produtoras de milho do Brasil, por tal motivo nada mais natural que o time adotasse a Espiga Boleira como mascote. Os adversários aproveitam a fama para provocar, gritando “pipoqueiros” para os luverdenses.

“Não há nada menos vazio que um estádio vazio. Não há nada menos mudo que as arquibancadas sem ninguém”. E ratificando Eduardo Galeano, uma das alcunhas mais famosas do Fast Clube-AM nasceu nas arquibancadas. O time viveu nas décadas de 60 e 70 uma era de ouro quando “massacrava os adversários”, ganhando o apelido de Rolo Compressor. A fase foi tão boa que a partir da década de 70 o Fast continuou figurando entre os grandes do estado e o apelido entrou até no hino do clube.

Tremendão (Itabaiana-SE), Espiga Boleira (Luverdense-MT) e Rolo Compressor (Fast Clube-AM)

Em alguns casos o mascote ficou famoso pelo trato do time com os adversários, como no caso do Audax-SP, que tem no Garoto Audacioso a imagem da força do clube perante os grandes nos últimos anos, com juventude, estudos e muita audácia.

E nessa edição da Copa do Brasil há apenas um time que ainda não tem mascote – pelo menos até o fechamento desta edição. É o caso do Sete de Dourados-MS. O clube é o atual campeão sul-mato-grossense e foi fundado em 1994. Após se profissionalizar em 2005, o Sete cresceu rapidamente no âmbito do futebol brasileiro, e esse meteórico sucesso fez com que a direção e os torcedores ainda não tivessem a oportunidade de escolher um representante, tantas foram as conquistas.

Em janeiro deste ano, o site GloboEsporte.com fez uma pesquisa para escolher o mascote. O escolhido pelo voto popular foi o Índio, com 45,5% dos votos. O anúncio oficial, porém, ainda não foi feito pela diretoria. A história dos mascotes e apelidos vai ao encontro da história do Brasil, da cultura, de cada região e clube que veste as cores do povo. É essa miscigenação que faz da Copa do Brasil o campeonato mais brasileiro do país.


ENTREVISTA

Globo-RN: técnico aposta em preparação e novo formato para surpreender

Técnico Luizinho Lopes falou com exclusividade ao Guia Improvável da Copa do Brasil 2017, do Última Divisão

Por Emanuel Colombari

A missão de qualquer time pequeno na Copa do Brasil é surpreender. Por que a do Globo Futebol Clube seria diferente? Considerado um emergente do futebol do Nordeste, o clube da cidade de Ceará-Mirim (RN) se prepara para dar passos para além do território potiguar e, para isso, conta com o apoio do presidente do clube, o empresário Marconi Barretto. Dono de empresas que atuam em diversos segmentos (da Globo Gás à MPB Empreendimentos), Barretto é o principal pilar do clube. Em 2016, foi eleito prefeito de Ceará-Mirim.

À frente do time, está o jovem técnico Luizinho Lopes. Aos 35 anos, o ex-jogador terá sua primeira experiência como treinador profissional – mesmo assim, engana-se quem pensa que lhe falta currículo. Nos últimos anos, foi treinador e coordenador de categorias de base, além de auxiliar-técnico de equipes profissionais como Treze, Remo e América-RN. Neste último, trabalhou com o técnico Roberto Fernandes, e participou de um confronto hoje inusitado. Pela primeira fase da Copa do Brasil 2015, visitou o Globo e venceu por 5-1.

Mesmo assim, não considera que seu atual clube tenha sido um rival historicamente simples. “Sempre foram jogos muito difíceis, com diferença de um gol ou empate. Quando enfrentamos o Globo, o time estava muito bem. Só tivemos facilidade uma vez”, contou o técnico ao Última Divisão. 

Luizinho assumiu o time potiguar em março de 2016. Antes, fez estágios em grandes times como Flamengo, São Paulo e até Atlético de Madri, onde trabalhou por um mês com o técnico argentino Diego Simeone. Hoje, divide-se nas funções de técnico em campo e manager da equipe fora dele. Sobre o acúmulo de funções, diz estar satisfeito: “Obviamente, a parte financeira é importante, mas eu trabalho porque amo. Gosto muito do que eu faço, me entrego inteiramente, 24 horas por dia”, afirmou. “Mas é claro que também precisa ter resultado. Se não, o treinador não mantém o cargo”, completou.

Com estrutura e apoio financeiro, o Globo inicia sua missão na Copa do Brasil 2017 diante de um rival duro: o Fluminense, campeão em 2007 e vice em 1992 e 2005. Diante de um novo regulamento, com duelos em jogo único na primeira fase, Luizinho tem um plano para avançar: “A gente espera jogar com a cabeça muito boa, com astral positivo e, quem sabe, próximo de classificar para as finais do primeiro turno do Estadual. Aí será um jogo psicológico”, avaliou. “Não adianta se desesperar, até por que será jogo único. Tem que ter muita cautela para não sair atrás no placar, porque aí teríamos que empatar e virar”, finalizou. Confira a entrevista completa:

Última Divisão: Em 2015, você era auxiliar do Roberto Fernandes no América-RN, e enfrentou o Globo em quatro ocasiões (Estadual, Copa do Brasil e amistoso). O que você pôde observar do seu atual time?

Luizinho Lopes: Enfrentei o Globo algumas vezes, mas como auxiliar nunca perdi. Sempre foram jogos muito difíceis, com diferença de um gol ou empate. Nestas partidas, o time foi muito bem. Só tivemos facilidade uma vez, um jogo pela Copa do Brasil em que conseguimos goleá-los por cinco gols. Mas, em nível estadual, sempre foi muito complicado enfrentá-los. É uma equipe com uma torcida efervescente, muito alegre, com jogadores jovens, rápidos e leves. É sempre uma equipe atrevida, muito ofensiva… Enfim, um time que propõe um jogo bem jogado. Sempre foi muito difícil. Sempre que a gente enfrentou, eles vinham de uma sequência de vitórias. Sempre foi preciso muita atenção.

UD: Quais as diferenças estruturais que você encontrou no Globo em relação ao América-RN?

LL: Obviamente, o América é um clube que tem sede e centro de treinamento, que está construindo um estádio, tem muita torcida, uma diretoria grande… Enfim, é uma entidade centenária. Já o Globo é um clube de um único dono, do presidente (Marconi Barretto). Meu contato é direto com ele. Facilita algumas coisas, como a autonomia para contratar e dispensar, para planejar o elenco e encaixar o nosso modelo de jogo. Essa é uma grande facilidade. Por outro lado, há algumas dificuldades com relação à diretoria, como um suporte maior relacionado à gestão, já que eu acumulo as funções de técnico e gestor. Há diferença também com relação à pressão da torcida e da imprensa… No Globo, isso nem se compara ao América! Já com relação aos equipamentos para trabalhar, como academia e campo para treinamento, aqui eu encontrei uma situação muito satisfatória, em alguns pontos até melhor do que no América. Então, há pontos positivos e negativos em relação a essa troca.

UD: Você foi anunciado pelo Globo em 30 de março de 2016, ou seja, está no cargo há quase um ano. O que te garante essa segurança?

LL: O que tem me garantido no cargo é a responsabilidade com que a gente trata o clube. Eu gosto do trabalho. Obviamente, a parte financeira é importante, mas eu trabalho porque amo. Gosto muito do que eu faço, me entrego inteiramente, 24 horas por dia. Tenho um ótimo relacionamento com os atletas, com o presidente. É claro que também precisa ter resultado. Se não, o treinador não mantém o cargo. Tem que ter um equilíbrio, uma junção das duas coisas: do trabalho realizado fora e dentro do campo. E autonomia, né? O presidente dá sequência ao treinador, dá oportunidade para que ele encaixe seu melhor trabalho. Eu tenho mais um ano de contrato com o Globo e pretendo dar segmento a isso. Eu atribuo essa segurança no cargo ao presidente, à filosofia de buscar profissionais jovens, promissores e dar oportunidade para fazer o trabalho, para colher frutos lá na frente.

Marconi Barretto (esq), dono do clube e agora prefeito da cidade, dança em comemoração do Globo FC

UD: Em que medida ter o presidente do clube na Prefeitura interfere no seu trabalho? Ajuda ou atrapalha?

LL: Até então é recente, nada mudou (nota: Marconi Barretto assumiu em janeiro de 2017, mês em que foi realizada a entrevista). Obviamente, ele é autoridade da cidade, mas não teve nenhuma interferência nessa relação presidente/prefeito. Continua o mesmo trabalho, a mesma situação que já vinha sendo antes.

UD: Como investir em futebol de qualidade no interior do Brasil? Há mais dificuldade para conseguir recursos? [Pergunta enviada pelo leitor O Heiner, via Twitter]

LL: Com certeza a dificuldade é maior com relação a investimento, patrocínios, torcida, renda, estádio… Agora, o Globo é particular. O Globo é de um único dono, e tem até uma situação curiosa: o presidente nem quer patrocínio, nem sequer de fornecedor esportivo. Ele fabrica o próprio material da gente. Não quer patrocínio porque ele tem muitas empresas e usa o Globo para fazer a própria divulgação de seus negócios. Então, o Globo tem menos dificuldade do que os demais em relação a isso. Mas, obviamente, fazer futebol no interior não é fácil. O patamar financeiro com certeza é menor que o das capitais. Felizmente, o Globo tem um único dono, que consegue manter o clube financeiramente.

UD: Tendo trabalhado no América-RN, qual a experiência que você traz para o Globo na disputa da Copa do Brasil?

LL: Eu participei da Copa do Brasil algumas vezes com o América, enfrentando grandes clubes. Inclusive, chegamos até as quartas-de-final e enfrentamos o Flamengo no Maracanã, fazendo dois jogos fortes (2014). Enfim, a experiência é muito válida. Este ano mudou, agora o mata-mata é só um jogo, mas acho que isso favorece um pouquinho o time de menor porte, porque vamos estar em casa e dentro de campo tudo pode acontecer. Uma vez enfrentei o Globo pela Copa do Brasil e vencemos por cinco gols (2015). Foi mais uma experiência que tivemos. Naquela oportunidade, eliminamos a volta no primeiro jogo. É um aprendizado que fica. Tem que ser um jogo de atenção máxima porque não pode errar, não dá tempo para recuperar, não tem a próxima partida… Enfim, tem todo um aprendizado dessas experiências que vivenciamos com o América na Copa do Brasil que vamos levar agora ao Globo.

UD: Qual é o impacto da mudança no regulamento na Copa do Brasil sobre o Globo? Ajuda ou atrapalha?

LL: Acho positivo. Por mais que o empate complique por ser do Fluminense, jogar a partida única em casa favorece o menor. Em dois jogos, é natural que o maior vença ou reverta o quadro. Agora não. Em um jogo, tudo pode acontecer. Se a gente estiver no nosso melhor dia e conseguir vencer a partida, o Fluminense não vai ter como reverter depois. Em contrapartida, o grande tem a vantagem do empate. Acho que, diferente dos outros anos, quando colocavam times mistos na primeira partida contra times menores, agora eles vão vir com força máxima, porque não tem como recuperar depois.

UD: Como passar pelo Fluminense, mesmo com a vantagem do empate sendo do adversário? [Pergunta enviada pelo leitor Matheus Resende, via Twitter]

LL: A gente espera jogar com a cabeça muito boa, com astral positivo, quem sabe próximo de classificar para as finais do primeiro turno do Campeonato Potiguar. Aí será um jogo psicológico. Se a gente estiver muito empolgado para esse jogo, com uma campanha boa no Estadual, a torcida vai. No Barretão, a gente está há 15 jogos invicto. É uma equipe que faz muito bem o mando. Dificilmente perdemos um jogo dentro de casa, tem um clima muito positivo. Então, é apostar nessa cultura de o Globo sempre conseguir bons resultados em casa e tentar estar na briga pelo turno do Potiguar na véspera do jogo, o que eu acho que vai fazer toda a diferença. Vai gerar um clima de empolgação na torcida, os jogadores vão estar mais confiantes… E aí é fazer um jogo equilibrado. Não adianta se desesperar, até por que será jogo único. Tem que ter muita cautela para não sair atrás no placar, porque aí teríamos que empatar e virar. Fica uma situação complicada.

UD: Quais as lições que o Globo pode tirar das campanhas de Criciúma (1991), Juventude (1999), Santo André (2003) e Paulista (2004) na Copa do Brasil para surpreender? [Pergunta enviada pelo leitor Matheus Raymundo, via Facebook]

LL: Essas lições são muito interessantes – inclusive trabalhei no Paulista de Jundiaí, mas como jogador. A Copa do Brasil é um campeonato à parte. As copas, no mundo todo, propiciam surpresas aos clubes de menor investimento, até pelo caráter do regulamento, de jogos eliminatórios, em uma ou duas partidas. É como eu falo: o futebol é muito dinâmico e tudo pode acontecer. Uma zebra em pontos corridos ou chaves às vezes pode influenciar pouco, já que a equipe pode se recuperar depois. Agora, em mata-mata, não. Você realmente fica fora, e às vezes quem passa é o de menor investimento, o de menor porte. Historicamente, a Copa do Brasil tem reservado espaço para grandes feitos de pequenos clubes. O Globo sonha, quem sabe, conseguir fazer um grande feito, como passar pelo Fluminense e fazer história.

UD: O Globo estreou na elite do Rio Grande do Norte em 2014, e desde então foi vice e duas vezes terceiro lugar. Como o clube lida com este patamar alcançado diante dos adversários em tão pouco tempo?

LL: O Globo iniciou forte, é forte até hoje, e tem um bom investimento para um nível local. Nós conseguimos contratar bons jogadores, formar bons atletas na base. A estrutura mínima é dada para que a gente tenha tranquilidade para trabalhar. Anualmente, o clube não para como a maioria dos times menores. A gente consegue, com ou sem calendário, manter o trabalho, manter os jogadores em atividade. Sempre conseguimos treinar bastante antes das competições, então a equipe está preparada fisicamente. É isso que faz do Globo a terceira força local hoje: a continuidade do trabalho. Eu encaro de maneira muito positiva e também com responsabilidade. A gente tem que manter o clube nesse patamar, brigando pelas duas, três colocações do Potiguar. Estamos indo para mais uma temporada com esse pensamento.





MEMÓRIA UD

Figueirense 2007: um furacão que passou em nossas vidas

Há dez anos, time catarinense quase conquistou o seu tão sonhado primeiro título nacional

Por Julimar Pivatto, de Santa Catarina

Com 17 títulos estaduais, o Figueirense Futebol Clube é o maior campeão de Santa Catarina. Porém, ao contrário dos maiores rivais, ainda falta um título nacional para o Furacão do Estreito. Em 2007, ele esteve bem perto. Parecia que enfim a torcida ia tirar o grito da garganta. Mas ele escapou no último jogo, em casa, quando o time jogava por um empate sem gols. Mesmo assim, a Copa do Brasil de 2007 é lembrada como uma das melhores equipes já formadas pelo Figueira.

O goleiro Wilson segurava as pontas lá atrás. A linha defensiva tinha Lucas Marques, Chicão, Felipe Santana e André Santos. No meio, Henrique, Ruy Cabeção, Cleiton Xavier e Fernandes. Lá na frente, o artilheiro Victor Simões ao lado do jovem Ramon. Um time com bons nomes e que jogava como por música. Tinha como maestro o saudoso Mário Sérgio Pontes de Paiva.

Desde o começo o time dava pinta de que iria incomodar. Estreou vencendo fora de casa e foi passando por cima dos adversários. Goleadas sobre Noroeste e Gama (esta fora de casa) deram moral ao alvinegro. Mas a campanha teve também polêmicas. Torcedores do Botafogo até hoje não engolem os dois gols anulados no Maracanã pela auxiliar Ana Paula de Oliveira no jogo de volta da semifinal. Já o Náutico teve QUATRO gols anulados no jogo no Scarpelli. Confira a seguir como foi a campanha e os principais nomes do elenco naquela competição:

Madureira 2 x 3 Figueirense (21/2) [vídeo]

O jogo marcou a estreia do técnico Mário Sérgio no comando do Figueirense. O resultado foi bom, mas poderia ter sido melhor. Ramon, de cabeça, abriu o placar pro alvinegro aos 23 minutos e nem mesmo o empate no minuto seguinte, com gol de Marcelo, desanimou o time alvinegro. Fernandes fez, de pênalti, 2 a 1 aos 43 do primeiro tempo.

Aos 11 da segunda etapa, o time da casa teve a chance de empatar novamente, mas Wilson defendeu a cobrança de Maicon. O juiz mandou voltar a cobrança, mas novamente Wilson impediu o gol. A defesa deu moral e Ramon fez o terceiro aos 25. Quando parecia que o time catarinense eliminaria a partida de volta, Valdir Papel descontou nos acréscimos.

Figueirense 2 x 0 Madureira (28/2) [vídeo]

Na final da Taça Guanabara, o Madureira mandou um time reserva para Florianópolis. Por isso, sem grandes esforços o Figueirense despachou o time carioca com dois gols do ídolo Fernandes, um aos 33 do primeiro tempo e outro aos 28 do segundo. A comemoração foi em dobro porque na mesma noite o rival Avaí foi eliminado em casa pelo Rio Branco (PR).

Noroeste 0 x 0 Figueirense (21/3)

Sem o técnico Mário Sérgio, que se recuperava de uma cirurgia, o Figueirense foi comandado pelo auxiliar Fernando Alcântara. Em um jogo tecnicamente fraco, o único lance de maior emoção foi a expulsão do zagueiro Chicão. No fim, bom resultado pros visitantes.

Figueirense 4 x 1 Noroeste (4/4) [vídeo]

A vaga para as oitavas de final foi carimbada com uma atuação de gala do Figueirense no Estádio Orlando Scarpelli. O time da casa foi para o intervalo já vencendo por 3 a 0, com gols de Ramon (logo a um minuto), Felipe Santana, aos 17, e Fernandes, aos 29 – este último um golaço. Victor Simões ainda fez o quarto aos 20 do segundo e Márcio Gabriel descontou aos 41. Resultado para dar moral.

Gama 2 x 4 Figueirense (18/4) [vídeo]

A boa fase do Figueirense se confirmou em mais um grande exibição, especialmente no segundo tempo. Uma das grandes características daquele time era tomar a iniciativa desde o começo do jogo e foi assim que Ruy abriu o placar aos oito minutos.

Mas Neto Potiguar empatou aos 16, placar que continuou até o intervalo. No segundo tempo, Nunes empatou aos 24 e então brilhou a estrela de André Santos. Com dois gols, aos 27 e aos 32, ele garantiu a vitória alvinegra.

Figueirense 2 x 1 Gama (25/4)

Com a vantagem de poder perder por até um gol, o Figueirense administrou bem o jogo. Mesmo saindo para o intervalo perdendo por 1 a 0 (gol de Valdeir), o Furacão do Estreito empatou com Ruy logo no comecinho.

Com um homem a mais (Ricardo Araújo foi expulso aos oito do segundo tempo), o Figueirense foi para cima e conseguiu a virada aos 28, com e Felipe Santana. A partida marcou uma série invicta de 12 jogos do técnico Mário Sérgio no comando.

Náutico 2 x 2 Figueirense (2/5) [vídeo]

Talvez o jogo que mostrou a força do grupo do Figueirense. Depois de um primeiro tempo sem gols, o Náutico fez logo dois com Beto e Deleu, aos 13 e aos 17. Mas o artilheiro Victor Simões marcou duas vezes em cinco minutos e garantiu o empate.

Aliás, essa partida teve um momento curioso. Quando ele entrou, aos 18 do segundo tempo, pediu para o jogador errado deixar o campo. O técnico Mário Sérgio tentou falar para ele que quem sairia era o lateral Anderson Luiz, mas talvez enganado pelo barulho que fazia a torcida local, Simões disse ao quarto árbitro que quem deveria sair era o meia Vanderson. No fim, deu tudo certo.

Figueirense 1 x 0 Náutico (9/5) [vídeo]

A primeira classificação do Figueirense para uma semifinal de Copa do Brasil foi suada. Uma vitória simples bastava e parecia que viria de forma tranquila quando Victor Simões escorou de cabeça e fez 1 a 0 aos 27 minutos do primeiro tempo. Mas precisando vencer, o Náutico veio com tudo e pressionou muito na segunda etapa. O juiz anulou quatro gols anotados pelo time pernambucano.

Figueirense 2 x 0 Botafogo (16/5) [vídeo]

Diante de um Orlando Scarpelli lotado, o Figueirense começou bem o jogo e logo aos 13 minutos abriu o placar com Cleiton Xavier. Onze minutos depois, Felipe Santana cruzou na área e, de cabeça, Victor Simões fez o segundo.

Botafogo 3 x 1 Figueirense (23/5) [vídeo]

Muita chuva no Maracanã para lavar a alma do torcedor. Precisando vencer, o Botafogo foi para cima desde os minutos iniciais e abriu o placar com Zé Roberto aos 13 minutos, mas a auxiliar Ana Paula de Oliveira anulou. Aos 19, Zé Roberto aproveitou o rebote de Wilson pra fazer 1 a 0. Aos 26, mais um lance polêmico. Vagner fez 2 a 0, mas novamente a auxiliar anulou o gol do time da casa. O segundo saiu aos 46 com André Lima, de cabeça.

O jogo se encaminhava para os pênaltis quando aos 44 minutos da etapa final, Cleiton Xavier arriscou de longe e contou com a falha do goleiro Júlio César para descontar o placar. Precisando de mais dois gols, o Fogão foi para cima e ainda conseguiu descontar com um gol contra de Vinícius, mas mesmo assim quem comemorou a vaga histórica foi o Figueirense.

Fluminense 1 x 1 Figueirense (30/5) [vídeo]

O Figueirense mostrou sua força diante de um Maracanã lotado. Quando parecia que o jogo se encaminharia para um 0 a 0, Henrique acertou uma pancada de fora da área e abriu o placar aos 37 do segundo tempo. Cinco minutos depois, Adriano Magrão completou para as redes para deixar tudo igual. Mesmo assim, o Figueira voltou para casa com um grande resultado.

Figueirense 0 x 1 Fluminense (6/6) [vídeo]

O Figueira entrou em campo com a vantagem de poder empatar sem gols. Por isso, o Flu foi para cima desde o começo do jogo e abriu o placar logo aos três minutos com Roger, obrigando o Figueira a se lançar ao ataque. Mário Sérgio promoveu duas mudanças ainda no primeiro tempo, mas mesmo mostrando muita vontade, os catarinenses pecaram pela falta de organização e perderam o tão sonhado título nacional que o clube persegue. 

Por onde andam os personagens daquela campanha?

1 – Ari, goleiro

O jovem Ari era o reserva do goleiro Wilson naquele ano e não entrou em campo na Copa do Brasil – apenas em alguns jogos do Brasileiro, quando o titular foi poupado. Deixou a equipe no ano seguinte e rodou pelo Brasil, especialmente no Ceará, onde defendeu Icasa, Guarany e Ferroviário. Seu último clube parece ter sido o Rondonópolis-MT, em 2015.

2 – Henrique, volante

O volante foi peça fundamental no time de Mário Sérgio. Autor do golaço contra o Fluminense, no primeiro jogo da final, Henrique surgiu no Londrina e chegou em Floripa em 2005. Do Figueira foi para o Jubilo Iwata, no Japão, e depois para o Cruzeiro. Teve uma passagem pelo Santos e voltou para a Toca da Raposa em 2013, onde está desde então.

3 – Chicão, zagueiro

Chicão surgiu para o futebol nacional com a camisa do Figueirense. Chegou em Floripa em 2006 e ficou até o fim de 2007, quando se transferiu para o Corinthians. Passou depois por Flamengo e Bahia, e em julho do ano passado, anunciou a aposentadoria aos 35 anos. Seu último clube foi o Delhi Dynamos, da Índia.

4 – Victor Simões, atacante

O atacante, que surgiu no Flamengo, estava no futebol da Bélgica quando o Figueirense o contratou em 2007. Artilheiro da Copa do Brasil daquele ano, transferiu-se para o Japão, sendo repatriado pelo Botafogo em 2009. Ano passado defendeu o Goa, da Índia. Com uma lesão, luta para voltar aos gramados e chegou a ser cogitado pelo volta Redonda.

5 – Rafael Lima, zagueiro

Com apenas 20 anos à época, o jovem formado na base não entrou em campo naquela Copa do Brasil. Jogou algumas temporadas no mundo árabe e voltou ao Brasil em 2011, no Inter de Santa Maria-RS. Em 2012, assinou com a Chapecoense e defendeu a equipe até o fim do ano passado. Lesionado, não embarcou no fatídico voo que vitimou quase toda a equipe na Colômbia. Após a tragédia, foi negociado pelo clube com o América-MG.

6 – Edson, zagueiro

Revelado pelo Figueirense, estreou como profissional em 2005 e foi campeão estadual no ano seguinte. Chegou a defender a Seleção Brasileira Sub-20 no Mundial de 2007. Depois da Copa do Brasil, teve passagem discreta pelo futebol português e também no Botafogo. No ano passado se transferiu para o Machine Sazi, do Irã.

7 – Vinicius Orlando, zagueiro

Viveu seu melhor momento com a camisa do Figueirense, onde conquistou quatro títulos estaduais (2003, 2004, 2006 e 2008). Depois da Copa do Brasil de 2007 ainda passou por Santo André, Rio Branco-SP, Brusque, ABC e Caldense. Seu último registro foi no Barra-SC, em 2015.

8 – André Santos, lateral

Mais um revelado no Figueirense, desta vez em 2002. Lateral-esquerdo de ofício, chegou a ser emprestado para Flamengo e Atlético-MG antes de disputar a Copa de Brasil com o Figueirense. Jogou ainda por Corinthians, Fenerbahçe, Arsenal, Grêmio e Wil 1900 (Suíça). Está no Boluspor, da Turquia, onde joga como meia. Pela Seleção Brasileira foi campeão da Copa das Confederações 2009 e disputou a Copa América 2011.

9 – Felipe Santana, zagueiro

Surgiu para o futebol no Figueirense em 2006, ficando até 2008. Depois passou por Borussia Dortmund (bicampeão alemão) e Schalke 04. Estava no Kuban Krasnodar, da Rússia, e no fim do ano foi repatriado pelo Atlético-MG.

10 – Wilson, goleiro

Todo grande time começa com um grande goleiro. Wilson se destacou com defesas importantes e também pela liderança dentro de campo. Com 33 anos, segue em atividade defendendo as cores do Coritiba.

11 – Anderson Luiz, lateral

Lateral e zagueiro, Anderson Luís estreou cedo no Figueirense. Tinha apenas 19 anos na campanha de vice-campeão da Copa do Brasil. No ano seguinte, foi campeão da Copinha e estadual com o alvinegro. Em 2010 foi para o futebol português, defendendo o Estoril até o ano passado, quando se transferiu para o Arouca.

12 – Daniel Marins, meia-atacante

Com apenas 18 anos, fez figuração no elenco vice-campeão daquele ano. Natural do Rio de Janeiro, construiu sua carreira toda no estado, tendo passado por Audax Rio, Boavista, América-RJ, Cabofriense, Bangu e Nova Iguaçu. Em 2016, defendeu o Duque de Caxias.

13 – Ramon, meia

Ramon é catarinense de Araranguá e foi revelado pelo Figueirense em 2007. Foi bem na Copa do Brasil, mas a carreira dele não engrenou como o esperado. Chegou a jogar na Romênia, mas voltou para o Brasil e passou por times como Juventus-SC, Brasil de Farroupilha, Penarol-AM e São Raimundo-AM.

14 – Léo Aro, atacante

Léo Aro chegou ao Figueirense em 2007 com status de campeão do mundo. Estava no elenco do Internacional de 2006, que conquistou também a Libertadores. Jogou pouco pelo clube catarinense e depois iniciou uma peregrinação por vários clubes. Neste ano, vai defender o Taubaté na Série A2 do Campeonato Paulista.

15 – Diogo, meia

Volante revelado pelo Londrina, chegou no Figueirense em 2006. Também foi bem com a camisa do Fluminense, onde foi campeão brasileiro em 2010. Depois disso passou por vários clubes, como Sport, Vegalta Sendai (Japão), Inter de Lages (SC), Operário-PR, Juventus, Linense e São Carlos.

16 – Fernandes, meia

Rodrigo Fernandes Valete é considerado um dos maiores ídolos da história do Figueirense. Conquistou seis títulos estaduais com a camisa do Figueira, o último deles em 2008. Ficou no time do Estreito até 2012, quando foi dispensado e encerrou a carreira em 2013 no Red Bull Brasil.

17 – Cleiton Xavier, meia

Revelado pelo CSA em 2001, Cleiton Xavier chegou ao Figueirense emprestado pelo Internacional. Foi um dos destaques da Copa do Brasil 2007 e foi para o Palmeiras em 2009. Teve uma passagem peo futebol ucraniano e voltou ao Palestra em 2015. Teve papel importante no título do Campeonato Brasileiro de 2016. No início deste ano, foi anunciado como jogador do Vitória.

18 – Ruy Cabeção, lateral e meia

Revelado pelo América-MG, o lateral e meia ficou muito conhecido por defender as cores de Cruzeiro, Botafogo e Fluminense. Sua passagem pelo Figueirense foi curta, mas marcante, mesmo sem conquistar títulos. Encerrou a carreira em 2015, aos 37 anos, no Operário-MT. Em uma entrevista ao SuperEsportes, no ano passado, disse estar estudando direito.

Lucas Marques, lateral

Embora não esteja na foto que ilustra este texto, o lateral foi mais uma revelação do Figueirense naquele ano de 2007. Ficou no clube até 2010 (chegou a ser emprestado ao São Bento em 2008) e depois foi para o Botafogo. Em 2015 foi contratado pelo Palmeiras, emprestado ano passado ao Cruzeiro e agora fechou com o Fluminense.

Mário Sérgio, técnico

Mário Sérgio pode ser considerado um dos principais responsáveis pela memorável campanha daquele Figueirense. Ele teve ainda uma segunda passagem pelo Figueirense em 2008, e depois treinou Portuguesa, Internacional e Ceará. Desde 2010 se dedicou à carreira de comentarista esportivo e foi uma das vítimas do desastre aéreo com o avião da Chapecoense em novembro do ano passado.


RAIO-X

Quais são os maiores Davi x Golias desta edição?

Todo ano, pequenos recebem grandes com a esperança de fazer história; este ano, terão apenas uma chance

Por Diorgnes Saldanha Lima

Tal qual a história da batalha do pequeno Davi contra o gigante Golias, a edição deste ano terá vários confrontos épicos. Isto tudo graças à mudança no regulamento da competição, que fez da primeira fase uma disputa dos 40 melhores colocados no Ranking Nacional de Clubes contra os 40 piores. As partidas serão disputadas em jogo único, na casa do pior ranqueado, com a vantagem do empate para o melhor colocado no ranking. De olho nessa batalha, separamos cinco confrontos na Copa do Brasil que serão verdadeiros Davis x Golias. Confira:

Chave 4: Globo (RN) x Fluminense (RJ)

Fundado em 2012, o Globo Futebol Clube vai participar da sua terceira Copa do Brasil nunca tendo passado da primeira fase. Foram três jogos realizados: um empate e duas derrotas. De cara, a equipe vai enfrentar o Fluminense, 13º colocado da Série A do Campeonato Brasileiro. No elenco, o nome mais conhecido provavelmente é o do meio-campo Bismarck. Com um ano mais modesto do que o clube carioca (a equipe chegou até a segunda fase da Série D), o Globo receberá o Fluminense dia 15 de fevereiro, às 21h45, na Arena das Dunas, em Natal (RN). Detalhe: a equipe costuma mandar os seus jogos no Estádio Manoel Dantas Barreto, o Barretão, a 30km da capital potiguar.

Chave 5: Princesa do Solimões (AM) x Internacional (RS)

Princesa (AM) escolheu o estádio Olímpico de Cascavel (PR) para receber o jogo diante do Inter (RS)

Antes mesmo de a bola rolar, este confronto já rendeu. Isso devido ao fato do Princesa vender seu mando de campo da partida. A disputa, que está marcada para o dia 15, ocorrerá bem longe do Amazonas: em Cascavel, no interior do Paraná. Na Copa do Brasil, a equipe joga pela quarta vez em sua história, tendo chegado somente até a segunda fase do certame, na edição de 2014. Em oito jogos na Copa, foram uma vitória, um empate e seis derrotas. Em 2016 o clube foi vice-campeão do Amazonense e caiu nas oitavas da Série D do Brasileiro. Com um elenco modesto a equipe fará frente ao Internacional, que teve o pior ano da sua história. O jogo acontece dia 15 de fevereiro, às 21h45, no estádio Olímpico Regional Arnaldo Busatto, que tem capacidade para 26 mil pessoas.

Chave 6: Caldense (MG) x Corinthians (SP)

O único clube fora do Norte/Nordeste desta nossa pequena lista é a Associação Atlética Caldense. A equipe vai para a sua 5ª participação na Copa do Brasil também tendo como recorde a segunda fase, em 2003 e 2014. Foram 11 jogos, com três vitórias, dois empates e seis derrotas. Pela Série D do Brasileiro ficou na 2ª fase da competição. O time enfrenta o Corinthians no dia 8 de fevereiro, às 21h45, no Estádio Dr. Ronaldo Junqueira, o Ronaldão, em Poço de Caldas.

Chave 8: Santos (AP) x Vasco da Gama (RJ)

Em outro caso de venda de mando, o Santos (AP) decidiu pela Arena das Dunas em Natal (RN) como palco para encarar o Vasco (RJ)

Este é outro confronto que teve bastante assunto referente à mudança de mando de campo. Após tratativas, a equipe amapaense acertou a venda da partida para uma empresa, passando o jogo para a Arena das Dunas, em Natal (RN). O atual campeão amapaense irá para a 6ª participação na competição e nunca conseguiu passar da primeira fase. Em oito jogos, foram três empates e cinco derrotas. Na série D de 2016 a equipe também não passou da primeira fase. A partida contra o Vasco está marcada para ocorrer no dia 9 de fevereiro, às 21h.

Chave 10: Moto Club (MA) x São Paulo (SP)

Dentre os pequenos escolhidos para este texto, o Moto Club é o que mais participou da Copa do Brasil. Fundado em 1937, o clube tem ao todo 10 participações, porém nunca passou da segunda fase da competição. Foram 22 jogos com uma marca de três vitórias, cinco empates e 14 derrotas. Após conquistar o acesso para a Série C do brasileiro, a equipe espera mais um novo triunfo a nível nacional. O jogo contra o São Paulo está marcado para dia 9 de fevereiro, às 21h30, no Estádio Governador João Castelo, o Castelão, em São Luís-MA.


LISTA

Montamos um time inteiro só de jogadores AQUELEs!

E ele está escalado com 'Messi do Mato Grosso', queridinho do Felipão e ex-Seleção... #descubra

Por João Almeida

AQUELEs.

Aqueles que nos fazem bater uma nostalgia. Aqueles que nos remetem a meados dos anos 2000. Aqueles que esperamos vingar, mas não passaram de promessas. Aqueles que, de alguma forma, lembramos sabe-se lá o porquê. O tradicional AQUELES da Copa do Brasil, do UD, está recheado de nomes que continuam peregrinando nos gramados de nosso país. Escalamos um time, não, uma seleção para o leitor matar a saudades de queridos jogadores que atuam em times longe dos holofotes. Usamos um 4-4-2 típico, com experiência, currículo e história de sobra. Confira o nosso onze:

GOLEIRO: MICHEL ALVES (Botafogo-PB)

Ganhou nome por (tentar) defender o gol do Juventude no Campeonato Brasileiro de 2007, embora não tenha conseguido evitar o rebaixamento da equipe. Depois, esteve no Internacional, Ceará, Vasco e pendurou as luvas em 2013. Saiu da aposentadoria ao aceitar um convite do Botafogo-PB no ano passado.

LATERAL-DIREITO: ARTUR (Sampaio Côrrea-MA)

Titular absoluto de Felipão, o lateral conquistou a Copa do Brasil pelo Palmeiras em 2012. Voltou aos holofotes em 2014, quando, na oportunidade, parou de jogar para cuidar da esposa, adoentada por febre reumática. Retornou no São Caetano, passou pelo Vitória da Conquista e chegou para defender a Bolívia Querida.

ZAGUEIRO: ANTÔNIO CARLOS (Boavista-RJ)

Dizem que é zagueiro, mas, na prática, ficou conhecido pelos gols. O tal “zagueiro-artilheiro”. Fez o gol do título carioca do Fluminense em 2005, além de balançar as redes vestindo as camisas de Botafogo e São Paulo. Perambulou bastante até chegar ao Boavista de Saquarema-RJ nesta temporada, no qual será comandado por ninguém menos que Joel Santana.

ZAGUEIRO: LEANDRO AMARO (Ferroviária-SP)

Outro defensor no elenco do Palmeiras de 2012, Leandro Amaro esteve (bem) longe de cair nas graças da torcida. Foi negociado com Avaí e rodou depois no Náutico, Chapecoense até voltar a ganhar projeção no ABC. Em Alagoas, desandou a fazer gols e terminou 2015 como um dos zagueiros que mais fizeram gols no país, com sete bolas na rede. Voltou a cair na estrada até chegar a Ferroviária, no final do ano passado.

LATERAL-ESQUERDO: MARCELO CORDEIRO (São Bento-SP)

Sinônimo de andarilho e lateral ofensivo, não conseguiu se fixar em nenhum clube, embora tenha ganhado títulos e relevância pelo Internacional e Botafogo. No São Bento, está em sua “terceira” temporada. Aspas por que faz o tradicional bate-volta: joga o Estadual e sai para outro clube para a disputa de Nacionais.

VOLANTE: ADRIANO (CRB-AL)

O cão de guarda santista. Adquiriu notabilidade na Libertadores de 2011, onde, na ocasião, fazia o trabalho sujo como primeiro volante. Passou, posteriormente, por Grêmio, Vitória, Goiás, Avaí até ser anunciado pelo CRB, no final do ano passado.

VOLANTE: RADAMÉS (Boa Esporte-MG)

Dentro de campo, chamou a atenção por jogar no Fluminense. Fora de campo, chamou muito mais a atenção por se casar com a atriz Viviane Araújo. Perambulou pelo Náutico, Juventude, Paysandu e outros clubes. Está no Boa desde 2015 e fez parte do elenco campeão da Série C de 2016.

MEIA: MORAIS (São Bento-SP)

Expectativa de craque, realidade de bom jogador. Morais surgiu e encantou a torcida do Vasco com atuações de saltar os olhos, mas não conseguiu emplacar. Rodou por Atlético-PR, Corinthians, Bahia, entre outros. Foi, quem diria, lembrado por Dunga na primeira convocação do treinador pela Seleção, em 2006. Chegou ao São Bento no ano passado.

MEIA: SÉRGIO MOTA (CRB-AL)

Eterna promessa, o garoto de 27 anos está em seu décimo clube na carreira. Cria de Cotia, destaque em Copa São Paulo e seleções de base, o meia era nome certo para a camisa 10 do São Paulo. Não foi. Mas continua como itinerante nos gramados, e estreará pelo CRB em 2017.

ATACANTE: RODRIGO TIUÍ (River-PI)

Aposta do Fluminense em 2003, ficou mais conhecido por ser mais alternativa no banco de reservas do titular. Esteve no elenco campeão da Copa do Brasil de 2007, pelo Flu. Passou por Santos, onde foi chamado de “Tiuí Henry”, Atlético-PR, Náutico, Sporting-POR, entre outros centros. Foi contratado pelo River nesta temporada.

ATACANTE: JEAN CHERA (Sinop-MT)

Um parágrafo não é suficiente para resumir a história de Jean Chera. O “Messi do Mato Grosso” prometia ser um novo menino da Vila quando acertou com o Santos. Problemas nos bastidores o levaram a sequer disputar uma partida oficial. Depois, mais viajou do que jogou por Genoa, Flamengo, Cruzeiro, Oeste, Cuiabá, entre outros, até voltar ao Santos, mas no time B.

Em 2016, foi emprestado à Portuguesa Santista,onde marcou alguns gols na quarta divisão do Paulistão. No meio do ano passado, decidiu se aposentar para morar com a namorada, grávida de seu primeiro filho, no Mato Grosso. Perto de casa, acertou o seu retorno com o Sinop, o seu 11º clube. Tudo isso com 21 anos de idade. Detalhe: o reserva de Jean Chera é ninguém menos do que Jorge Preá.

TÉCNICO: [SR.] WALDEMAR LEMOS (River-AC)

Waldemar é o… Não, o carismático Waldemar, que dispensa maiores apresentações, continua rodando por esse Brasilzão e, após uma passagem por Remo e Anápolis em 2016, foi contratado pelo River do Acre para 2017.

ERRAMOS: A primeira versão deste Guia escalou Wellington Saci, mas o atleta trocou o Remo-PA pelo Madureira-RJ (que não disputa a Copa do Brasil) e, portanto, foi substituído por Leandro Amaro, da Ferroviária-SP. Pedimos desculpas pelo inconveniente.


MEMÓRIA UD

O Dragão voltará a voar alto como em 2010?

Entre polêmicas e histórias surreais, Atlético-GO busca superação para ser novamente a sensação

Por Diego Freire, do Última Divisão

Clube mais antigo entre os grandes de Goiás, o Atlético enfrentou um período desolador entre o início dos anos 90 e quase toda a primeira década do novo século. Desde o título goiano de 1988 e o Brasileiro da Série C de 1990, foram quase 20 anos de fila, agravados por rebaixamentos estaduais e a demolição de seu estádio, que quase deu lugar a um shopping. A equipe que revelou Baltazar, ídolo do Grêmio e um dos maiores craques goianos da história, não dava grandes mostras de que poderia recuperar seu protagonismo. Porém, com a conquista da Série B do Goiano, em 2005, uma nova era começou…

No ano seguinte, o time chegou à decisão do Estadual e vendeu caro o título para o Goiás. Poderia ser apenas um brilho isolado, mas outras conquistas mostraram que não: em 2007, revanche contra o Esmeraldino e fim do jejum! Campeão do Estado com defesas do goleiro Márcio, uma contratação que chegou sem muito alarde (começou a carreira como reserva do Bahia) e viria a se tornar o maior ídolo da história recente atleticana. Depois vieram acessos da Série C para a B do Brasileiro; e logo da B para a A – em apenas dois anos. Com organização e continuidade de elencos, o Dragão voava cada vez mais alto.

O ápice da recuperação foi, sem dúvidas, entre 2010 e 2011: além de um inédito bicampeonato goiano e duas honrosas campanhas na Série A (com direito à classificação para a Sul-Americana e inesquecíveis vitórias com 4 gols contra Flamengo e Corinthians, fora de casa), a equipe construiu uma história inesquecível na Copa do Brasil. ASSU-RN, Bahia, Santa Cruz e Palmeiras ficaram pelo caminho, parando apenas no Vitória, nas semifinais da edição de 2010. Não faltaram momentos memoráveis na campanha.

Torcida atleticana lotou estádios na campanha do acesso à elite do futebol nacional

Comandado pelo técnico Geninho, aquele elenco já tinha perdido o zagueiro Gil (hoje uma das opções da defesa da Seleção Brasileira, que deixou o clube em 2009), mas ainda contava com importantes nomes como Thiago Feltri, Pituca e Rodrigo Tiuí – além, é claro, do goleiro-artilheiro Márcio, batedor de faltas e pênaltis. Após a fácil primeira fase contra o ASSU-RN (vitória por 3 a 0), quase todos os outros confrontos foram carregados de emoção, com classificações no limite. Diante do Bahia, um gol a mais sofrido fora de casa levaria a decisão para os pênaltis.

Contra o Santa Cruz, um pouco mais de tranquilidade (triunfos no Recife e em Goiânia), mas a partida realmente marcante seria ante o Palmeiras: placares iguais e decisão nas penalidades, quando o alviverde Marcos defendeu três cobranças, mas não conseguiu superar Márcio, que converteu a sua e também pegou três chutes. Cinco anos depois de se livrar da Série B goiana, os atleticanos estavam na semifinal da Copa do Brasil.

Marcão: autor do gol no tempo normal quando o Atlético-GO eliminou o Palmeiras da Copa do Brasil em 2010 (com direito a disputa de pênaltis na qual cada goleiro pegou 3 cobranças)

O sonho, no entanto, terminou de forma melancólica. Enfrentando o Vitoria, uma derrota por 4 a 0 representou a eliminação, confirmando os baianos na final contra o Santos de Neymar e Ganso. Depois viria o rebaixamento no Brasileiro e, apesar de conseguir se manter na Série B sem grandes sustos, ninguém esperava por outro ressurgimento do Dragão – até a vinda de Marcelo Cabo.

Se você não o conhecia, provavelmente ouviu falar dele quando desapareceu e foi encontrado em um motel. A mal explicada história não custou o emprego de Cabo por um motivo óbvio: ele conseguiu a improvável façanha de vencer a Série B do Brasileiro (deixando os ricos Vasco e Bahia para trás) com um elenco pouco cotado, em 2016. Enquanto o ídolo Márcio cometeu a heresia de fechar com o rival Goiás, a torcida atleticana ganhou novos nomes para exaltar, como o atacante Júnior Viçosa (ainda no clube), o zagueiro Marllon (transferido para a Ponte Preta), o lateral direito Matheus Ribeiro (vendido para o Santos), o volante Michel (contratado pelo Grêmio) e o meia Magno Cruz (agora no sul-coreano Jeju United).

Com o desmanche da base campeã, o Atlético-GO de 2017 é uma incógnita. As vindas do zagueiro Roger Carvalho (ex-Palmeiras), do lateral esquerdo Wanderson (ex-Jeju United), do meia William Santana (ex-Matsumoto Yamaga, do Japão) e do atacante Alipio (ex-Vitória-BA) parecem pouco para garantir uma Série A tranquila e uma nova boa campanha na Copa do Brasil. Mas duas coisas pesam a favor dos goianos: o tempo de preparação (com o título da Série B, ganharam o direito de entrar na Copa do Brasil apenas na fase final, ao lado dos participantes da Libertadores) e a vocação do time para surpreender.

Infelizmente, não é possível falar do Atlético-GO sem registrar também algumas páginas questionáveis de seu passado recente. A suposta ligação da agremiação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a acusação de homicídio que paira sob o presidente Maurício Sampaio são manchas lamentáveis para um clube que tem alcançado tantos momentos grandiosos dentro de campo. Feita a ressalva, não há dúvidas de que é positivo ver uma equipe tão tradicional recuperar seu espaço. A grandeza já está no hino, que dispensa a modéstia: “Meu Atlético/Meu estandarte/Modéstia à parte tem a força/Quente de um Dragão”.





RAIO-X

Para os times da Liberta, torneio é um bom atalho

Atlético-MG (2014) e Grêmio (2016) foram campeões entrando direto nas oitavas; neste ano, concorrência é maior

Por William Correia

Nos anos 90, costumava-se ouvir que a Copa do Brasil era o caminho mais curto para a Libertadores, e tinha lógica: eram menos partidas a disputar para se chegar ao título e, consequentemente, ao torneio da Conmebol. Desde 2013, a indicação voltou a fazer sentido para quem já está no torneio continental e, consequentemente, ganha o direito de estrear na competição nacional apenas a partir das oitavas de final. E esses times têm aproveitado bem a vantagem.

Nas quatro edições com o “privilégio” a quem vem da Libertadores, dois desses “beneficiados” ficaram com o título: o Atlético-MG, em 2014, e o Grêmio, em 2016. E ambos usaram a Copa do Brasil para aliviar a frustração sul-americana, já que, nessas temporadas em que ergueram o troféu nacional, decepcionaram e chegaram apenas às oitavas de final do campeonato da Conmebol.

Campeão em 2016, Grêmio entrou na Copa do Brasil direto nas oitavas de final, vindo da Libertadores

Em 2017, Palmeiras, Grêmio, Chapecoense, Santos, Atlético-MG, Flamengo, Atlético-PR e Botafogo, representantes brasileiros na Libertadores, certamente não têm nos planos uma frustração continental para começar a temporada. Mas sabem que a Copa do Brasil vale um fim de ano com chave de ouro.

Esses oito clubes, contudo, não são os únicos com a vantagem de entrar só nas oitavas de final. O regulamento ainda deu esse benefício aos atuais campeões da Série B (Atlético-GO), da Copa Verde (Paysandu-PA) e da Copa do Nordeste (Santa Cruz-PE).

Desses privilegiados, certamente é do Palmeiras que mais se espera. O atual campeão brasileiro perdeu o técnico Cuca, que não aceitou a renovação por motivos familiares, e o artilheiro Gabriel Jesus, hoje no Manchester City. Mas qualificou seu elenco com nomes conhecidos, como o volante Felipe Melo, o meia venezuelano Guerra e o atacante Keno, destaque do Santa Cruz em 2016. Tudo com a promessa de disputar todos os títulos sem dar prioridade a nenhum campeonato. Ou seja: mesmo se for longe na Libertadores, o técnico Eduardo Baptista não terá desculpa de ir mal na Copa do Brasil, caso opte por reservas.

Campeão brasileiro, Palmeiras se preparou para a temporada enfrentando a Chapecoense, em amistoso que homenageou as vítimas do acidente aéreo

O peso do plantel também acompanha o Atlético-MG. Ter opções de qualidade, contudo, virou uma pressão que o Galo não soube transformar em títulos no ano passado, incluindo a derrota na final da Copa do Brasil com o técnico Marcelo Oliveira demitido entre as duas decisões por ter levado 3 a 1 do Grêmio em casa já na ida. Agora, o time de Robinho, Fred e Pratto precisa preencher seu meio-campo e levantar a taça que escapou em 2016. O desafio do técnico Roger Machado é equilibrar não só sua incontestável força ofensiva com qualidade defensiva, mas descobrir opções mais confiáveis no banco para não ficar refém de lesões.

Essa também é a missão do Santos. Nos últimos anos, a torcida gosta de terminar maio dizendo que ser campeão paulista é uma certeza. Mas, em 2017, o técnico Dorival Júnior, mais longevo no cargo entre os colegas de grandes times, precisa mostrar que o Peixe não ganha “só” o Paulista. Os intermináveis Renato e Ricardo Oliveira não devem suportar uma maratona envolvendo Brasileiro e Libertadores. A solução, porém, também parece ser infinita: as categorias de base do clube. É quase certo que você terminará a temporada elogiando algum daqueles garotos de nomes compostos surgidos na Vila Belmiro. A dúvida é se estarão no pôster do bi do clube na Copa do Brasil.

No Grêmio, maior campeão da história do torneio, a meta é buscar o hexa. Com certeza, o time gostou de voltar a ganhar um título de relevância após 15 anos levantando o conhecido troféu no fim do ano passado. Se for bem na Libertadores, deve caber novamente ao técnico Renato Gaúcho comandar o time no torneio nacional. Sem um elenco de nomes tão conhecidos (uma das principais contratações foi o veteraníssimo lateral Léo Moura), o ex-atacante tem, novamente, na sua lábia a força para motivar e aproveitar a também sempre elogiada base gremista.

A busca por opções no elenco também fará parte do técnico Zé Ricardo no Flamengo. Faltou força a ele e ao time, mesmo com o Maracanã à disposição, para fazer frente ao Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Mas a diretoria tenta aliar seu equilíbrio financeiro à busca por reforços para se fortalecer e ir além do sonho pelo bicampeonato da Libertadores em 2017. O que não falta é tradição ao clube na Copa do Brasil, tricampeão da competição. Com mais peças e jogando mais no Rio de Janeiro, sua casa, é sempre complicado enfrentar o Rubro-Negro.

As cores preta e vermelha do Atlético-PR também costumam fazer a diferença em um caldeirão tão conhecido quanto infalível. É na Arena da Baixada que o Furacão vai apostar na Libertadores e, certamente, para intimidar quem for enfrentá-lo na Copa do Brasil. O time mantém a postura de fazer pouco barulho, mas sempre incomodando. Tem no técnico Paulo Autuori e no goleador Grafite, recém-contratado, a esperança de manter a fama de não se intimidar. O clube foi vice-campeão na Copa do Brasil de 2013 sem chamar tanta atenção, e é bom os rivais enxergarem bem que a equipe tem mais do que uma simples organização tática. Afinal, quem leva pouco gol em casa já sai na frente.

O Botafogo é outro que pode transformar o fator mandante em trunfo ainda maior em 2017. No ano passado, o Estádio Luso-Brasileiro ganhou o nome do time provisoriamente e o carinho da torcida, carregando a equipe até a Libertadores. Agora, a equipe volta ao estádio Nilton Santos, o famoso Engenhão, para que o técnico Jairzinho continue mostrando conhecer o elenco. Exibindo peças inesperadas, ele se destacou no Brasileiro e, agora com Montillo como opção e Camilo consolidado como um dos principais meias do Brasil, é esperado que ele mostre na Copa do Brasil, ao menos, armas da também frutífera base da equipe, caso ainda esteja na Libertadores. O torneio nunca foi conquistado pelo time, e muitos torcedores lamentam a derrota na final para o Juventude, em 1999.

Entre os brasileiros na Libertadores, a palavra elenco representa mesmo a Chapecoense. De forma trágica, o time ficou cravado nos corações dos brasileiros com a queda do avião que levava a delegação para a disputa da primeira final da Sul-americana, em novembro. Mas a diretoria tinha nos planos, em 2016, conquistar um torneio continental ou a Copa do Brasil. Se certamente será complicado na Libertadores, com um grupo praticamente inteiro montado para 2017, a tendência é que o técnico Vagner Mancini chegue à Copa do Brasil com a formação completamente entrosada. E não faltarão forças até do além para a Arena Condá virar ainda mais inimiga de quem a visita. Não sonhará demais quem apostar no Verdão do Oeste.

Entre os beneficiados menos famosos, reconstrução é a palavra de ordem. Até mesmo para o Atlético-GO. Sim, o time sobrou na Série B e ficou com o título, mas o elenco perdeu cinco jogadores, entre eles o lateral Matheus Ribeiro, hoje no Santos, e passa por uma reformulação. O problema pode ser exatamente o trunfo de 2016: o técnico Marcelo Cabo, que sumiu por um dia em meio à pré-temporada e terá um trabalho imprevisível para conseguir recuperar a confiança de seus atletas. Mas o Dragão sempre chegou quando menos se espera, inclusive na Copa do Brasil, quando foi semifinalista em 2010. E terá um semestre inteiro para se ajeitar até lá.

Comandante do Atlético-GO na conquista da Série B, Marcelo Cabo terá que superar desconfiança em 2017

Tempo que também pode ser um atalho para o Santa Cruz. Depois de um primeiro semestre perfeito em 2016, conquistando o Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste, o clube se perdeu totalmente. Deixou de pagar salários e foi uma das piores equipes do Brasileiro, caindo para a Série B. Para 2017, a reformulação é completa dentro de campo. O goleiro Júlio César, ex-Corinthians, deixou o Náutico depois de dois anos e meio e tem ganhado o apoio da torcida para liderar o novo grupo, que já não tem mais Grafite e Léo Moura. Diante das dificuldades financeiras, o técnico Vinícius Eutrópio terá que se apoiar nas categorias de base do time. Pode ser de lá que venha a solução para a equipe mostrar força nacionalmente na Copa do Brasil, com a formação mais entrosada.

Esses também são os planos do Paysandu. O atual campeão da Copa Verde não teve força suficiente no elenco para sair da Série B no ano passado, mas faz uma aposta tão ousada quanto vencedora para 2017: contratou o técnico Marcelo Chamusca, irmão do famoso Péricles, que chega credenciado por ter subido com o Guarani da Série C (foi vice-campeão) e ter conquistado o Cearense pelo Fortaleza em 2015. Como é costume no clube, ele terá, primeiro, que sobreviver ao Paraense, no qual deve ficar com o título para ter chances de chegar empregado à Copa do Brasil. O goleiro Emerson, também conhecido como Emerson Conceição, de 34 anos, é o líder do Papão, que tenta se encaixar nos trilhos para ter direito a sonhar.


OPINIÃO

Descanse em paz, zebrinha

Será que nunca mais teremos novos Juventudes, Criciúmas e Santo Andrés na Copa do Brasil?

Por Napoleão Almeida, narrador e jornalista esportivo

A simpática zebrinha foi minha companhia por noites e noites de domingo na infância. Era a época da Revista Placar verdadeiramente nacional, de acordar cedo ver o Xou da Xuxa e de esperar ela aparecer com Léo Batista nos “Gols do Fantástico” – àquela época negócio sério, com narração que me inspirou até hoje e sem palhaçadinhas (ok, dou um desconto para os cavalinhos). Nos últimos anos, por vontade dos clubes maiores e anuência da principal patrocinadora do futebol brasileiro e seus financiadores, a zebrinha foi morrendo. Para 2017 está marcado o velório na já-não-tão-democrática Copa do Brasil.

Eu sou daqueles que colocaria os quase 800 clubes de futebol do Brasil todos na Copa. Acho que Copa é pra isso mesmo. Vai escalonando por divisões, deixa o Iraty encarar a Platinense primeiro, quem passar pega outro do mesmo nível e vai avançando até as entradas dos times das divisões nacionais. Não estou reinventando a roda: a FA Cup inglesa é assim, com seus quase 800 teams.

E claro que isso obriga a você ter muitas datas. Lá, eles não têm os estaduais, que hoje não são bons nem para grandes, nem para pequenos – exceto talvez o Paulistão. Só que o fundamental é preservado: a competição. Se o Manchester United visita o Flackwell Heath (quem?) e o time do que seria a 10ª divisão consegue segurar o gigante com um empate, o jogo de volta no Old Trafford está garantido. E aqui começa o golpe fatal na nossa zebrinha brasileira.

Ela já vem sendo mal alimentada e minguando a cada ano com a discrepante distribuições de cotas de TV de um mesmo campeonato. Como uma Chapecoense pode competir em pé de igualdade com Corinthians ou Flamengo ganhando 9 vezes menos? Vai fazer uma graça ou outra, mas não pode.

E isso já vale para clubes mais tradicionais, como Botafogo, Bahia ou Atlético Paranaense, submetidos à mesma dificuldade em escalas diferentes. Então criou-se o mito de que “o mata-mata permite mais zebras”, o que é uma mentira comprovada: o último clube a “furar” o bloqueio do desatualizado G12 foi o Sport, já há 9 anos – e pra pequeno o Sport não serve. Antes dele, no longínquo 2005 de cotas menos díspares, o Paulista aprontou pra cima dos grandes, como fizeram Santo André, Juventude e Criciúma um dia.

Mas agora essa estatística vai encolher ainda mais. Não basta ser grande, ter cotas maiores, patrocínios mais rentáveis, melhores estádios e jogadores mais capacitados: ainda levarão a vantagem do empate na primeira fase. Será assim para o Globo-RN que receberá o Fluminense, o Princesa-AM que pega o Inter-RS, a Caldense-MG contra o Corinthians, o Moto Club-MA contra o São Paulo e até mesmo para CSA-AL e Vitória da Conquista-BA, que pegarão Sport e Coritiba, oprimidos na elite, opressores embaixo. E se algum desses conseguir surpreender, na outra fase, terão a vida ligeiramente mais aliviada pelo empate em casa lhes garantirem os pênaltis. Visitar os maiorais, lá na cidade grande, só para os sobreviventes.

Sim, os grandes são o que atraem a atenção. Os grandes jogos, principalmente – seja em pontos corridos ou no mata-mata – e essa fase, digamos, burocrática, não é vista com o mesmo carinho pela torcida em geral, que só vai bradar “como é bom mata-mata” nos clássicos a partir das oitavas. Porém existe algo chamado “alma”, que é o brilho do futebol. O elemento surpresa, a entrega, o inesperado. E o sistema converge para acabar com ela.

Nem se trata de uma defesa ou torcida por zebras. O melhor tem de vencer sempre. Só que no nosso sistema é como se dessem a Golias um belo capacete, além da lança e do escudo que ele já carregava. E aí a competitividade vai pro beleléu. Talvez o melhor fosse elitizar de vez, fazer a tal “Copa da Liga”, como há na Europa. Só o filé mignon. Do jeito que tá, é bem a cara do Brasil: finge que é democrático, mas pisa o quanto pode nos menores.

Pobre zebrinha.

FICHA TÉCNICA

Esta edição do Guia Improvável da Copa do Brasil foi realizada a partir do esforço coletivo de 13 jornalistas de várias partes do país, que gentil e voluntariamente cederam seu tempo e trabalho para que alcançássemos este resultado. Portanto, se você curtiu o conteúdo acima, seja generoso e compartilhe em suas redes sociais. Assim, você valoriza o trabalho de todos e ainda contribui para que o guia chegue a mais gente. Se quiser fazer alguma crítica, elogio ou comentário, estamos sempre online no Facebook e no Twitter. Será um prazer trocar uma ideia! 🙂

Abaixo, segue a ficha técnica desta edição, em ordem alfabética. Até o ano que vem!

REDAÇÃO

  • Diego Freire
  • Diorgnes Saldanha Lima
  • Emanuel Colombari
  • Felipe Augusto
  • João Almeida
  • Julimar Pivatto
  • Leonardo Bonassoli
  • Napoleão Almeida
  • William Correia
  • Will Rosa

EDIÇÃO & REVISÃO

  • Allan Brito
  • Igor Nishikiori
  • Julio Simões
  • Lucas Carvalho Domanico Lattar

    Manos… sempre maravilhoso! Continuem!

    • juliohss

      Valeu, Luquita! 😀

  • Melo

    Parabéns pelo guia.
    No intervalo do trabalho, que leitura agradável.
    Bacana que aparece dois jogadores do CRB no time que vocês montaram.
    Fantástico!!!!!!

    • juliohss

      Obrigado pelo prestígio, Melo! Estamos sempre tentamos incluir o Nordeste nas nossas pautas. 🙂